A cada minuto, uma criança sofre acidente de trabalho, diz OIT

Relatório da OIT relativo ao Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil mostra que, por ano, mais de 500 mil acidentes envolvem crianças, ou 1.400 por dia

Por: Por Bianca Pyl, do Repórter Brasil

Obrigadas a trabalhar, crianças são expostas diariamente a riscos de acidentes (Foto: ©Marlene Bergamo/Folhapress)

São Paulo – Em todo o mundo, a cada minuto uma criança em regime de trabalho infantil sofre um acidente de trabalho, doença ou trauma psicológico, de acordo com o relatório "Crianças em trabalhos perigosos: o que sabemos, o que precisamos fazer", da Organização Internacional do Trabalho (OIT). São mais de 1.400 acidentes por dia e um total de quase 523 mil por ano. O relatório foi divulgado nesta sexta (10), como parte das atividades para lembrar o Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil, 12 de junho.

Para Renato Mendes, coordenador do Programa para a Eliminação do Trabalho Infantil (IPEC, pela sigla em inglês) da OIT, esse número é preocupante principalmente porque ele é silencioso. "O Brasil e o mundo não despertaram para esse problema ainda", disse o coordenador do IPEC.

O trabalho infantil perigoso (tratado no Decreto nº 6481 de 2008, que regulamenta o Convenção 182 da OIT sobre as Piores Formas de Trabalho Infantil) afeta cerca de 115 milhões de crianças em todo o mundo. A OIT estima que haja cerca de 215 milhões de trabalhadores infantis no mundo, dos quais mais da metade estão em trabalhos perigosos.

No Brasil, estima-se que o número seja de 4,2 milhões de crianças trabalhando, sendo que mais da metade executa atividades perigosas. De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego, em 2011 foram afastadas 3,7 mil crianças e adolescentes do trabalho . No ano passado, 5.620 crianças e adolescentes foram resgatados desta situação.

Dacordo com Renato Mendes, o trabalho infantil não é apenas um desafio educacional. É necessário encará-lo como um problema de saúde pública, já que estas crianças se tornarão adultos doentes, o que, consequentemente, impactará na Previdência Social. "O Brasil não está preparado para enfrentar esta questão", avalia.

O número de acidentes entre crianças e adolescentes também é mais elevado do que entre adultos. As crianças não têm a visão periférica formada, e a falta de visão lateral, explica Renato Mendes, facilita acidentes. "Além disso, a pele da criança é mais fina, facilitando intoxicações ou mesmo queimaduras", afirma o coordenador do IPEC.

Piores formas

O Brasil ratificou a Convenção 182 da OIT com a Lei 6.481, que Lista as atividades consideradas as Piores Formas de Trabalho Infantil, e que são proibidas para pessoas com menos de 18 anos. As cinco principais atividades - sendo três delas atividades ilícitas (trabalho análogo ao de escravo, tráfico de drogas e exploração sexual) - que empregam mão-de-obra infantil no Brasil são agricultura familiar e prestação de serviços, como trabalho doméstico, tanto no meio urbano quanto no rural, e comércio informal.

"Na agricultura familiar se utiliza agrotóxicos de uma forma menos organizada do que em um emprego formal. Para as crianças, o uso desses defensivos trás riscos imediatos de contaminação e até envenenamento porque a pele da criança é mais fina e o batimento cardíaco mais acelerado, fazendo com que o veneno chegue a corrente sanguínea mais rápido", explica o coordenador do IPEC.

Embora o número total de crianças entre 5 e 17 anos em trabalhos perigosos diminuiu entre 2004 e 2008, o número de adolescentes entre 15 e 17 anos nestas atividades teve um aumento real de 20% no mesmo período, passando de 52 milhões para 62 milhões. Mais de 60% das crianças em trabalhos perigosos são meninos.

O problema das crianças em trabalhos perigosos não se limita aos países em desenvolvimento, de acordo com o estudo. Existem evidências de que nos Estados Unidos e na Europa também há uma elevada vulnerabilidade dos jovens para acidentes de trabalho.

Crise econômica

No ano passado, o Relatório Global da OIT sobre trabalho infantil advertiu que os esforços para eliminar as piores formas de trabalho infantil foram abrandados, e expressou a preocupação de que a crise econômica global poderia colocar "mais freio" no progresso em direção à meta de eliminá-las em 2016.

Um ano depois, a crise econômica mundial teve um impacto direto no combate ao trabalho infantil, segundo Renato Mendes, e continua preocupante. No mundo inteiro houve uma redução nas ações. Apesar de os números do trabalho infantil continuarem caindo, o ritmo da queda foi menor do que nos dez anos anteriores. "Se continuarmos nesse ritmo, a tendência é estabilizar e até aumentar o número de crianças trabalhando", lamenta Renato.



A entrevista perdida de John Lennon de 1971

Todos que já leram o Manifesto do Partido Comunista, de Marx e Engels, e já ouviram a música Imagine, de John Lennon, já perceberam que há algumas coisas em comum.

Sendo diretamente inspirada no livro ou não, a música apresenta algumas das teses centrais do comunismo: um mundo em que as pessoas vivam em irmandade, sem nações, sem possessões, sem ganância, sem fome. O mundo todo como um só.

Encontrei em diversos sites na internet uma declaração de John Lennon em que ele diz que sua música é "virtualmente o Manifesto Comunista". Apesar de ainda não ter confirmado a veracidade de tal afirmação, os pontos de contato entre as duas obras são inequívocos.

Reproduzimos abaixo trechos da última entrevista de John Lennon, concedida em 21 de janeiro de 1971 ao jornal de esquerda The Red Mole (que ele carrega na foto ao lado).

Os recortes que escolhemos para tradução mostram John Lennon falando sobre cultura, violência e tomada do poder pelos trabalhadores.

Representaram o jornal Robin Blackburn (RB) e Tariq Ali (TA). Também foi entrevistada, junto com Lennon (JL), sua inseparável Yoko Ono (YO).

A entrevista completa - muito maior - pode ser lida aqui.


Power to the People: A entrevista perdida de John Lennon de 1971

[...]

RB: Bem, em todo caso, política e cultura estão ligados, não? Digo, os trabalhadores são reprimidos pela cultura, e não pelas armas neste momento...

JL: ...eles estão dopados...

RB: E a cultura que os dopa é aquela que os artistas podem criar ou romper com ela...

JL: É isto que estou tentando fazer com meus álbuns e nessas entrevistas. O que estou tentando fazer é influenciar todas as pessoas que posso. Todos aqueles que ainda podem sonhar e que colocam um grande ponto de interrogação em suas mentes...

[...]

Todas as revoluções acontecem quando um Fidel ou Marx ou Lenin ou quem seja, que são intelectuais, são capazes de ir aos trabalhadores. Eles conseguiram organizar uma boa quantidade de pessoas e os trabalhadores pareciam entender que estavam em um Estado opressor. Eles ainda não tinham acordado, eles ainda acreditavam que carros e televisores eram a solução. O que se deve fazer é pegar esses estudantes de esquerda e levá-los aos trabalhadores, vocês tem que pegar esses estudantes e envolvê-los com o The Red Mole.

[...]

TA: Nenhuma classe dominante em toda a história jamais entregou o poder volutariamente, e eu não vejo nenhuma mudança...

[...]

A violência popular contra seus opressores é sempre justificada. Não pode ser evitada.

YO: Mas de certa forma, a música mostrou que as coisas poderiam ser transformadas por novos canais de comunicação.

JL: Sim, mas como eu disse, nada mudou.

YO: Bem, alguma coisa mudou, e para melhor. Só estou dizendo que talvez possamos fazer uma revolução sem violência.

JL: Mas você não pode tomar o poder sem luta...

TA: Isso é o crucial.

JL: Porque quando chega na hora do "vamos ver", eles não deixarão o povo ter nenhum poder; eles darão todos os direitos para atuar e dançar por eles, mas nenhum poder real...

[...]

TA: Como você pensa que podemos destruir o capitalismo aqui, na Inglaterra, John?

JL: Acho que apenas fazendo os trabalhadores conscientes da infeliz situação em que se encontram, desconstruindo a ilusão que está à sua volta. Eles pensam que estão num país maravilhoso, com liberdade de expressão. Eles tem carros e televisores e não querem pensar que existe algo mais na vida. Estão prontos para deixarem os chefes governá-los, ver suas crianças drogadas na escola. Estão sonhando os sonhos dos outros, não é nem seu próprio sonho. Eles deveriam perceber que os negros e os irlandeses estão sendo atormentados e reprimidos e que eles serão os próximos.

Assim que tiverem consciência disso podemos começar a fazer algo. Os trabalhadores podem tomar o controle. Como Marx disse: "A cada um de acordo com sua necessidade". Acho que isso funcionaria bem aqui. Mas precisamos nos infiltrar no exército também, porque estão todos bem treinados para nos matar.

Temos que começar tudo isso a partir de onde somos oprimidos. Acho que é falso, vazio, fazer caridade aos outros enquanto sua própria necessidade também é enorme. A idéia não é dar conforto às pessoas, não fazê-las se sentir bem, mas fazê-las se sentir piores, constantemente colocando diante delas as degradações e humilhações pelas quais passam para conseguir aquilo que chamam salário mínimo.


Gestor burguês prevê nova crise nos EUA

Abaixo trechos da matéria "Melhor gestor dos EUA prevê novo crash nas bolsas", da Revista Exame, em que um gestor burguês prevê uma nova crise nos EUA, entre 2 a 5 anos, de magnitude igual ou pior à de 2008. Mas para isso não ocorrer ele já dá a receita: cortes de gastos do governo de 350 a 500 bilhões por ano.

O gestor de fundos de ações que obteve a maior rentabilidade nos Estados Unidos nos últimos 25 anos acredita que as bolsas podem sofrer um novo "crash" se o governo americano não começar em breve a reduzir o déficit público e o elevado endividamento. Em entrevista à revista Fortune, Bob Rodriguez, responsável pela gestão de 16 bilhões de dólares na First Pacific Advisors, diz que "em dois a cinco anos" o mundo pode ter uma crise "de magnitude igual ou maior" que a de 2008.

[...]

Ele considera que a dívida pública americana – que oficialmente corresponde a 64% do PIB – é muito maior do que se divulga e lembra que obrigações a serem cumpridas pelo programa de saúde Medicare e pelas agências de crédito Fannie Mae e Freddie Mac também deveriam ser contabilizadas. A situação, portanto, é bem pior do que parece. Se os EUA não fizerem nada para reduzir o endividamento até 2012, os investidores vão começar a temer o pior. Essa situação poderia levar ao aumento da percepção de risco dos títulos do Tesouro americano. Rapidamente o governo seria obrigado a pagar juros mais altos para se financiar– o que poderia gerar uma crise de confiança no mercado financeiro.

Para quem é considerado um "profeta do Apocalipse", Rodriguez até que parece ser justo com o governo. Ele admite que o problema ainda não seja irreparável. O governo americano precisa começar a cortar os gastos em 350 bilhões a 500 bilhões de dólares por ano e evitar futuras surpresas. O grande problema é que ele não acredita que o presidente Barack Obama esteja disposto a fazer a reforma fiscal necessária. A hora, portanto, seria de começar a reduzir o risco do portfólio de investimentos, baixando a exposição a ações e a títulos de segunda linha.


Jogo para PC - The Stalin Subway

Jogo desenvolvido por uma empresa russa se passa na URSS, em 1952, e o objetivo do jogador é salvar Stalin de um atentado que pretende matá-lo durante uma reunião do Partido Bolchevique.

Alguns meses atrás uma sequência do jogo Call of Duty trazia uma missão politicamente reacionária: matar Fidel Castro. O próprio líder cubano chegou a responder que os americanos estavam fazendo no mundo virtual apenas o que não conseguiram fazer, por décadas, no mundo real.

Mas há vários outros exemplos de histórias extremamente reacionárias nestes jogos, que transmitem uma mensagem política atrasada e deturpada aos jovens. É sempre ou a URSS invadindo os EUA ou os heróis americanos lutando contra a "ameaça comunista".

No entanto, nem todos são assim. Uma empresa russa chamada Buka lançou em 2006 um jogo chamado "The Stalin subway", no qual o seu objetivo é simplesmente salvar Stalin de um atentado que está sendo planejado para matá-lo.

O ano é 1952, Stalin já está com 72 anos e com a saúde um pouco debilitada, mas ainda impõe medo e respeito aos seus inimigos. Um grupo de opositores, então, desenvolveu uma bomba e planeja acioná-la durante uma reunião do Partido Bolchevique. Você, um oficial da KGB chamado Gleb Suvorov e ardoroso defensor do comunismo (segundo a descrição do personagem no manual do próprio jogo), deve impedir que isso aconteça, pois o atentado mataria não só Stalin, mas também inúmeras outras pessoas inocentes.

O próprio Stalin é um personagem do jogo, e no manual deste ele é apresentado com a seguinte descrição: "O grande piloto do navio comunista. E não há mais nada a dizer."

O jogo é em primeira pessoa, e se passa na cidade de Moscou. Isso também é muito interessante, pois é possível conhecer como diversos pontos da cidade eram na época, como a Praça Vermelha e o Kremlin.






Nota de falecimento: Ludo Martens

Morreu ontem, dia 05 de junho de 2011, Ludo Martens, autor do livro "Stalin - um novo olhar". Ele estava doente já havia um longo período.

Seu livro, escrito quando ainda havia poucas informações para refutar as mentiras sobre Stalin e a URSS, foi um importante instrumento ideológico do proletariado mundial na década de 1990. Uma valiosíssima contribuição, que perdura até hoje e perdurará por muitas outras décadas.

Há um memorial no site do Partido dos Trabalhadores da Bélgica, contando um pouco de sua trajetória.

CAMARADA LUDO MARTENS: PRESENTE!

AGORA! E SEMPRE!



Como funciona a democracia cubana

O texto abaixo é importante por explicar como funciona a democracia em Cuba, a qual é verdadeiramente popular e que conta com ampla participação das massas. Mostra sua superioridade em relação à democracia burguesa que temos no resto do ocidente. O texto faz parte de uma série sobre as conquistas dos 50 anos de revolução.

¿Qué ha hecho la Revolución Cubana en más de 50 años?

Por Raúl Antonio Capote*

Cuando se mencionan los logros de la Revolución, siempre y no sin razón, se habla de la Salud Pública y de la Educación, éxitos emblemáticos del proceso revolucionario cubano, pero ¿es eso lo único destacable en estos más de 50 años? Por supuesto que no. A esos resultados nos referiremos en esta serie de trabajos que comienzan hoy y digo serie porque sería imposible en un solo texto plasmar todo lo que se ha realizado.
Liberación, emancipación y democracia

Como en muchos de los países que fueron colonia, en Cuba la lucha por la libertad pasa por la lucha de liberación nacional. El movimiento que se levantó contra la dictadura de Batista se levantó además contra la dependencia del imperialismo estadounidense.

La democracia ejercida en Cuba tiene una fuerte configuración popular, en contraposición a la democracia electoral característica de occidente. Pero lo anterior no impide la realización de elecciones, las cuales refuerzan la legitimidad de esa democracia popular.

En Cuba todas las personas pueden votar y ser votadas cumpliendo los 16 años. La inscripción es universal, automática y gratuita. La base de nuestro sistema institucional son los delegados de circunscripción que se agrupan en consejos populares e integran las asambleas municipales. Los candidatos son propuestos y elegidos por el pueblo en reuniones públicas de las diversas zonas vecinales que componen cada circunscripción electoral, no por partidos de la politiquería. Para cada puesto se proponen como mínimo dos candidatos y ocho como máximo. Para ser electo hay que recibir más del 50% de los votos. No existen campañas electorales. La labor de publicidad es realizada por las comisiones electorales. En sitios públicos es colocada la biografía de los candidatos propuestos por el pueblo en las asambleas de barrio, no hay promesas electoreras y la elección o no, se basa en los méritos personales de la persona. Se garantiza así la imparcialidad y el trato equitativo de todos los candidatos.

El voto es libre, secreto y directo. El colegio electoral se encarga de realizar el escrutinio y desde hace por lo menos tres décadas siempre hay un gran número de ciudadanos cubanos, diplomáticos, periodistas y observadores extranjeros. Aunque el voto es voluntario, desde 1970 a la fecha se ha registrado la participación de más del 90% de la población en edad de votar. Ningún representante, diputado o delegado recibe un beneficio por desempeñar su cargo; el Estado les paga un salario exactamente igual al que tenían en sus trabajos antes de desempeñar su cargo, empleo al que regresaran una vez finalizado su mandato. La rendición de cuentas y el mandato revocatorio son un componente importante del sistema electoral.
Aún así este sistema electoral no agota el contenido democrático de la sociedad cubana, la activa participación ciudadana no se limita a escoger, postular, elegir, controlar y revocar a sus representantes, existe una cultura participativa que va mucho más allá de la participación de los ciudadanos en su sistema representativo, existe una vigorosa sociedad civil.

Una de las características de la sociedad cubana es su fuerte cultura del debate y el diálogo. Por las calles de la Habana, en las plazas públicas, en los parques, pueden encontrarse a grupos de cubanos y cubanas discutiendo sobre varios temas. En las “guaguas” el silencio no existe. La gente interactúa, opina, y si no está de acuerdo, discute, critica. Los tonos verbales llegan a ser muy altos. Un número amplio de cubanos se agrupa en distintas organizaciones de la sociedad civil, como la Federación de Mujeres Cubanas, los Comités de Defensa de la Revolución, etc. Las distintas asociaciones como las de pedagogos, abogados, agricultores, economistas, artistas, minusválidos, y cientos de ellas más, las cuales tienen peso importante en las decisiones del Estado. Esas organizaciones y asociaciones abarcan prácticamente el universo de actividades, intereses y problemas que conciernen a todos los cubanos.

Además desde los primeros años de la Revolución el pueblo se organizó en milicias armadas para defender la patria, las armas las tiene el pueblo integrado hoy a las Unidades de Milicias de Tropas Territoriales, si la Revolución no contara con el apoyo de su pueblo, no duraría un segundo, (hablamos de millones de milicianos, armados y entrenados)

El programa ideológico que se impulsa y defiende desde la tierra de Martí y de Fidel ha integrado en su construcción elementos como la liberación, la democracia, la emancipación y el socialismo, pilares fundamentales en la construcción de un mundo más justo. Estos elementos, junto a la descentralización de la justicia y la administración, marcan una diferencia radical con el socialismo burocrático y los proyectos socialistas fracasados en Europa del Este el pasado siglo.

Haber derrotado al “fatalismo geográfico” que señalaba que en Cuba no podía sobrevivir un gobierno que no contara con el apoyo de los Estados Unidos. Es un logro importantísimo de la Revolución.

Haber derrotado la agresión militar, el terrorismo made in USA y la guerra económica impuesta por el imperio a todo lo largo y ancho del mundo y en todas las esferas de la economía y las finanzas es un logro.

La sobrevivencia ante el derrumbe económico de 1989-1993 cuando Cuba en medio de una feroz e intensificada guerra económica perdió sus principales mercados y fuentes de materias primas.

La dedicación al trabajo de los cubanos durante el catastrófico declive del salario real y los ingresos después de 1990. Impresiona el profesionalismo de muchos cubanos que durante año, desde 1990, ante el enorme deterioro del poder adquisitivo de sus ingresos, continuaron trabajando con seriedad y dedicación en la medicina, universidades, escuelas, el servicio público, u otros empleos. El trabajo abnegado de innumerables ciudadanos durante los años difíciles del Período Especial, 1990-2010, es en esencia lo que ha permitido la recuperación desde la profunda depresión de 1993.

Son importantes logros de la Revolución cubana, pero hay muchos más a los que nos referiremos en posteriores trabajos, pero:

Nuestro sistema democrático es el más importante logro de la Revolución, lo primero que habría que subrayar no fue copia de nadie, sino hubiera seguido el camino del modelo de Europa Oriental, pero el cubano perdura, vive y se desarrolla en un mundo sin campo socialista y bajo la hegemonía estadounidense. El modelo democrático cubano nace como evolución necesaria de su propia historia
(Continuará)

*escritor y profesor de Historia de Cuba de la Universidad de Ciencias Pedagógicas de La Habana, quien fue durante años el agente Daniel de los servicios de inteligencia cubanos.


As FARC-EP não estão diminuindo, nem perdendo a guerra

Ótima reportagem sobre as FARC-EP, veiculada pela Al Jazeera. Diz que, ao contrário do que o governo colombiano afirma, as FARC-EP estão longe de estarem diminuindo ou perdendo a guerra. Mostra os guerrilheiros em ação, dando tiros com metralhadoras ao que se aproxima o exército colombiano, e entrevista alguns dos guerrilheiros. Está em inglês.



Fonte: Al Jazeera

A geração condenada da Grécia

Depois de um ano de austeridade, nós gregos vimos o nosso país e as nossas vidas ficarem irreconhecíveis.

Um ano depois de o Fundo Monetário Internacional e a União Europeia terem imposto a sua própria agenda infame à Grécia, a vida aqui mudou radicalmente. Quem tem entre 18 e 24 anos de idade, o mais certo é estar desempregado como 40% da sua geração. Quem tem trinta e poucos anos e um emprego, é provável que seja em tempo parcial e flexível. É possível que não o imagine estável e não faz ideia do tempo que irá durar. Os salários caiem gradualmente, não se pode fazer greve, não podemos organizar de forma coletiva e nem sequer exigir que nos paguem. As férias estão fora de questão, adoecer é um risco demasiado grande e não é possível ter casa própria.

Os jovens gregos não podem fazer escolhas normais na vida: não podem planejar o presente, quanto mais o futuro. Mas dizem-lhes – e muitos sentem-no - que não se podem queixar. Afinal pertencem a uma geração condenada.

A maior parte dos gregos deixou de ver as notícias ou de pensar sobre a razão de isto estar acontecendo. Mas toda a gente fala entre si sobre o que se está se passando: amigos, filhos e pais, comerciantes, taxistas, professores - todos dizem que esta austeridade é desleal e injusta, mas também todos se sentem inseguros e receosos: ao fim e ao cabo não há nada que possam fazer. Esta nova realidade parece ter sido lançada sobre nós - quase como um fenómeno sobrenatural. Dizem-nos que arcamos com as culpas da crise porque "todos nós andamos na vadiagem e gastamos para além das nossas possibilidades" - mas os que sofrem mais sabem que não tiveram nada a ver com isto.

Ainda não se passaram 12 meses desde que esta crise começou, mas as pequenas histórias que ilustram a mudança estão sempre aparecendo: sem-abrigo a vasculhar os caixotes do lixo à procura de comida, amigos despedidos sem indemnização ou aceitando cortes salariais, a polícia reprimindo cidadãos em protesto, escolas e hospitais que fecham, professores e médicos que perdem o emprego, jornalistas censurados, sindicalistas perseguidos, ataques racistas no centro da cidade. Legalidade, maioria, democracia e igualdade começam a parecer palavras sem nexo.

De repente, as coisas que aconteceram há apenas um ano em lugares remotos, subdesenvolvidos – como para provar a sorte que tínhamos por pertencer à civilizada Europa – estão a acontecer agora, aqui, na Grécia. Mas os gregos não podem queixar-se, não podem reagir, porque lhes dizem que a culpa da crise é deles – mesmo quando toda a gente sabe que não pode ser apenas culpa deles.

Mas para além da cobertura mediática dominante e das declarações das elites e dos políticos, cada vez mais pessoas sentem a falta de sentido, de racionalidade, justiça e liberdade na sua vida cotidiana. Alguns recusam-se a pagar taxas sobre os transportes e nos hospitais, portagens e dívidas e outros criam pequenas redes de solidariedade locais, comércio alternativo ou auto-educação nos seus bairros. Alguns lêem blogues e contam histórias diferentes, reconfirmando a sua dignidade com actos humildes, diários, de resistência, porque sentem a diferença entre "nós" e "eles" que nenhum meio de comunicação social ou discurso estatal consegue obscurecer.

Um povo inteiro não pode viver no isolamento, sentindo medo e culpa por muito mais tempo, encarando um futuro cheio de problemas que não podem ser resolvidos. O que o FMI e os políticos gregos sabem e receiam é que um povo oprimido possa aprender a comunicar sem falar, a avançar sem parecer que se mexe, a resistir sem resistir - gradualmente as pessoas irão descobrir-se umas às outras e perceber o que se está a passar e de quem é realmente a culpa. E depois, como aconteceu em dezembro de 2008, haverá uma reacção em massa aqui na Grécia, uma reacção que poderá ser violenta e que irá uma vez mais ser classificada de imprevisível e irracional."

Testemunho de Hara Kouki, historiadora e investigadora grega.

(Texto publicado no "Guardian" e traduzido e transcrito no site "Controvérsia")



O advogado e o guerrilheiro das FARC-EP

Escrito por um prisioneiro de Guerra das FARC-EP.

Em 15 de outubro, às 04h30 da madrugada fui retirado da cela n º XX, pátio n º 3 do pavilhão de segurança máxima da Penitenciária Nacional "Palo Gordo". A razão: participar de uma diligência judicial na cidade de Bucaramanga, capital do estado de Santander.

Fui imediatamente algemado, não me permitiram nem escovar-me e fui conduzido pelo comandante de turno para a gaiola de encaminhamentos. Chegaram detentos dos pavilhões diferentes que, como eu, seriam levados para passarem por um processo judicial. Alguns cumprimentavam, outros simplesmente se agarravam à grade da cela, uma vez que é um direito do preso. Quando se está fora do seu território em meio a desconhecidos, é preciso ter cuidados para se defender. Após um tempo começam as histórias de lutas em diferentes pavilhões e as razões dos enfrentamentos, em sua maioria esmagados pela guarda que estava no hospital, enfermaria ou a prisão.

Um pelotão de guardas se fez presente, desnudos, pegam nossas roupas e fazem uma revista minuciosa, qualquer objeto que se leve nos bolsos é apreendido e se você reclamar o arrocho é extra. Logo nos algemaram, acorrentam as algemas, imobilizando as mãos. A corrente dá uma volta ao redor da cintura onde é fixado uma caixa que você carrega no meio das correntes, impedindo completamente qualquer movimento das mãos. Depois fomos para um veículo.

O carro começou a se mover e fomos saindo da imensa montanha de concretos, grades, bobinas e arames. De repente se abre um céu imensamente grande e de uma beleza indescritível, pois no cárcere apenas se observa um pedacinho dele, como do tamanho de uma lona bem pequena.

Permaneci olhando as profundezas infinitas tão cheias de transparência e aromatizadas com perfumes de opalas. No céu, observava nuvens brancas que eram adornadas com algumas estrelas que brilhavam com uma luz muito fraca fazendo- me ver muitas fugirem antes do ímpeto dos primeiros raios da aurora. Respirei todo o ar que pude com toda a força dos meus pulmões e por um instante me lembrei de todas aquelas paisagens, animais e cenários que se observa nas marchas da guerrilha.

A manhã foi se revelando como suspiros místicos e a natureza ia se banhando de uma cor chamativa e alegre como se estivesse sendo pintadas com aquarela. As árvores se mexiam harmoniosamente com o vento, parecia que dançavam ao céu firme e oponente. A respiração fluía dos meus pulmões como o manancial brota do chão que logo desliza em busca dos vales.

Meu desejo de contemplar cada detalhe das paisagens fez com que meus olhos voassem como estampidos de aves surpreendidas.

A brisa golpeava meu rosto, que alegria, enquanto eu aspirava a brisa o aroma de cálice daquelas paisagens. Assim estava fazendo talvez um poema, uma música, enquanto desejava roubar a paisagem, as árvores, toda a sua beleza.

Desejei imensamente ouvir os beijos e suspiros de cada brisa e cheirar aqueles perfumes errantes dos campos com suas árvores e flores.

Pouco a pouco fomos entrando na cidade de Bucaramanga, grandes edifícios foram se impondo ante a nós, avisos de toda classe anunciando seus produtos. As pessoas se moviam como formigas. Em cada rosto o reflexo da angustia, tristeza ou felicidade.

Um mendigo ia arrastando seus farrapos e em seu rosto refletia a nostalgia de ser habitante das ruas onde há de tudo, mas de tudo carece.

Ao chegar ao nosso destino, fomos desacorrentados e levados para uma cela de escassos três metros quadrados. 15 pessoas neste reduzido espaço, não havia onde sentar, o chão estava cheio de umidade e um odor imensamente desagradável.

Um detento começou a gritar: isso é desumano!, e o agente penitenciário grita “cale a boca filho da p...!, Querem gás lacrimogêneo?”

Aqueles calabouços são o centro ao qual chegam presos de todas as partes, ou seja, de várias cadeias. Começa a gritaria e os negócios de armas, drogas etc. Logo, logo, aquele cárcere está inundado com a fumaça de maconha, um colega que fuma com grande ansiedade um cigarro de maconha, me oferece um toque. Eu o olho e lhe digo: obrigado, eu estou em uma viagem. Enquanto ele indicava as espirais de fumaça que davam volta naquele reduzido espaço.

Depois de algumas horas eu fui levado para a Delegacia. Uma vez dentro do palácio fui levado a um pequeno escritório. Nela havia uma mesa com quatro cadeiras, sobre a mesa um pequeno letreiro de “Fiscalização da unidade de direitos humanos número 99 de Bogotá.” De um lado uma impressora e computador, e à frente um senhor de uns 60 anos e bastante careca, que diante da minha presença se pôs de pé dizendo:

- Eu sou o advogado indicado para preceder uma diligência pelo recrutamento de menores e desaparecimento forçado na Argélia Antioquia.

- Eu posso saber o seu nome? Perguntei

- Sim claro, Carlos Guillermo Ordóñez Garrido.

Como o meu advogado não havia chegado ele começou a fazer perguntas sobre os farianos e ele foi questionando com argumentos cada uma.

Entre as perguntas me disse:

- Se vocês são tão fortes e ferozes, por que não estão governando?

- A força não é o governo e sim os processos revolucionários e quem faz são os povos quando os fatores objetivos e subjetivos tiverem atingindo a maturidade. Assim lhe respondi.

- Mas as FARC já perderem o norte ideológico, se alguma vez o tiveram.

- Eu respondo, olhando para o doutor, os espanhóis diziam que Bolívar e seu exército eram assaltantes de caminhos e não sei quantos adjetivos mais, e hoje é o Libertador de cinco repúblicas.

- Vocês abraçaram o terrorismo, olhem a destruição que semearam, esse tais cilindros que são lançados não são armas convencionais.

- Os exércitos podem comprá-las, sobre os cilindros há uma diferença tão grande, o exército lança bombas de 50k mínimo e também até de mais de uma tonelada, enquanto a nossa dificilmente chega a 60 libras. Sobre as convenções, acaso a bomba de Nagasaki e Hiroshima, que lançou os EUA são convencionais? Vocês em nome da tal democracia já mataram milhões em todo o globo terrestre, e continuam a matar ou, talvez, aqueles que morrem de fome, por falta de cuidados médicos, água potável etc. Não é a responsabilidade do Estado?

Ele me disse:

- A democracia os espera, desmobilizem as pessoas, façam a luta nas urnas, e no Senado e acabaremos com esta guerra sem sentido.

- Olhe doutor, o dia que a famosa democracia da oligarquia fizer algo de bom para o povo, nesse dia o imperialismo declarará ilegal a democracia.

- Olhe cara, vocês estão acabando com o exército.

- Doutor, é muito fácil a partir de um escritório receber todo o papo de quiabo que os meios de comunicação enviam aos quatro ventos. Os boletins de guerra que nos chegam falam de soldados mortos, feridos, helicópteros derrubados, danificados e fuzis recuperados. E se você não acredita dê uma passada pelo hospital militar, vá no centro psiquiátrico para os militares, saberá quantos loucos estão por aí, produto de uma guerra que estão ganhando segundo você. Lembre-se doutor, que as notícias todo o tempo falam de soldados que em estado de embriaguez matam, sequestram e se suicídam.

- O que fazer para acabar com esta guerra? Pergunta o advogado

Respondo-lhe:

- Fácil Doutor, nos entreguem o poder para construirmos um novo sistema econômico, político e social, onde o povo tome as suas determinações de acordo com sua cultura, costumes e tradições


Bem, aqui eu resumi o diálogo com o advogado, afinal é isso que tenho a fazer em cada bancada judicial, sempre defender a luta das FARC-EP e a razão pela qual as pessoas estão lutando, levando os ideais do Socialismo na mente e as armas nas mãos.




¡Televisión, manipulación! Nova invasão de TV, agora na Espanha

Uma centena de jovens procedentes do acampampamento de Glorieta de Múrcia, na capital dessa região espanhola, governada pelo PP, ocuparam ao meio dia de ontem a sede da televisão 7RM.

Na redação do canal, um dos manifestantes subiu a uma mesa e leu um manifesto reivindicando "o direito a uma livre informação, a uma programação cultural de melhor nível e, em definitivo, a utilizar uma televisão pública para dar uma informação pública para valer".

Também exigiram uma "televisão pública de qualidade onde o conselheiro delegado não possa desviar dinheiro à sua produtora".

O ato de protesto aconteceu minutos antes das 13:00 horas sem que os seguranças pudessem fazer nada para evitar a ação. Tanto a Guarda Civil como a Polícia dirigiram-se ao local e identificaram alguns dos manifestantes, o que poderá dar lugar a eventuais atuações repressivas.

Depois de concluírem a leitura do manifesto, os jovens foram-se embora, cantando palavras de ordem como "Não somos violentos" ou "Este movimento ninguém para".

Embora algumas fontes da imprensa burguesa tenham afirmado que os jovens provocaram danos no mobiliário, os próprios empregados do canal desmentiram tal suposição.



Não tive tempo de ter medo

Rondó da liberdade
(por Carlos Marighella)

É preciso não ter medo,
é preciso ter a coragem de dizer.

Há os que têm vocação para escravo,
mas há os escravos que se revoltam contra a escravidão.

Não ficar de joelhos,
que não é racional renunciar a ser livre.
Mesmo os escravos por vocação
devem ser obrigados a ser livres,
quando as algemas forem quebradas.

É preciso não ter medo.
é preciso ter a coragem de dizer.

O homem deve ser livre ...
O amor é que não se detém ante nenhum obstáculo,
e pode mesmo existir até quando não se é livre.
E no entanto ele é em si mesmo
a expressão mais elevada do que houver de mais livre
em todas as gamas do humano sentimento.

É preciso não ter medo.
é preciso ter a coragem de dizer.

Pobreza infantil na América Latina chega a 45% dos menores de 18 anos

Na América Latina e no Caribe, 45% das crianças e adolescentes se encontram em situação de pobreza infantil, o que totaliza quase 81 milhões de menores de 18 anos. A conclusão é do estudo Pobreza infantil na América Latina e Caribe, realizado pela Comissão Econômica da América Latina e do Caribe (Cepal) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), tomando por base o período 2008-2009.

A pesquisa avalia fatores como a nutrição, acesso à água potável e serviços de saneamento, qualidade de moradia e número de pessoas por quarto, educação e acesso aos meios de comunicação e informação.

A privação a esses bens representa um quadro de pobreza e exclusão, enquanto a Convenção Internacional sobre os Direitos das Crianças, que entrou em vigência em 1989, estabelece esses fatores como importantes para determinar a qualidade de vida dos pequenos.

Também se analisou a renda dos lares e a capacidade desses recursos em satisfazer as necessidades básicas das crianças e adolescentes. A conclusão não foi favorável. "Quase a metade das crianças latino-americanas e do Caribe vive em lares com rendas insuficientes para satisfazer suas necessidades básicas – o que afeta em especial aos mais novos – e há cerca de 4,1 milhões de lares com crianças que sofrem ao mesmo tempo a violação grave de seus direitos e fortes insuficiências de renda”, diz o documento.

O documento completo está disponível para download neste link.

Com informações de Camila Queiroz, no ADITAL



Professores gregos invadem TV pública

Professores gregos invadem estação de TV pública, interrompem noticiário ao vivo e gravam mensagem denunciando mídia e governo. A primeira é denunciada por sua "conspiração do silêncio", ao não noticiar, nos últimos seis meses, as ações do governo contra a educação. O segundo é denunciado por suas medidas de austeridade contra os trabalhadores e a educação. A revolução avança.

Médico soviético faz cirurgia em si próprio

Leonid Rogozov era o único médico de uma expedição soviética para a Antártida, ocorrida em 1961. Alguns dias depois da chegada, ele começou a sentir fortes abdominais, e o diagnóstico não foi difícil: apendicite aguda. Mas o que fazer se o médico mais próximo estava a 800 km de distância, e as dores, insuportáveis?

Rogozov então tomou uma decisão: a de fazer a cirurgia em si próprio. Ele deu algumas instruções à sua equipe sobre o procedimento em caso de desmaio (qual injeção aplicar, etc), colocou um espelho em frente a sua barriga, fez o corte e começou a operação.


Durante o processo ele suava muito, estava pálido, e às vezes pedia para enxugarem sua testa. Sua equipe estava extremamente nervosa, mas ele estava calmo, como que fazendo uma operação de rotina.

Depois da operação ele tomou algumas pílulas e dormiu. No dia seguinte sua temperatura era de 38.1ºC, mas ele dizia que se sentia melhor. Continuou tomando antibióticos e, depois de cinco dias, sua temperatura já estava normal. Em uma semana ele retirou os pontos, e em duas semanas já retomava suas atividades na expedição. Somente depois de 1 ano, em 29 de maio de 1962, é que ele deixou a Antárdida e voltou para casa.




Mais informações na fonte desta matéria, neste link.


URSS venceria a guerra sozinha

Nesta ótima entrevista concedida ao canal russo RT, o insuspeito escritor inglês Geoffrey Roberts, que se denomina "anti-Stalin", afirma que a URSS poderia ter vencido a II Guerra Mundial sozinha, sem ajuda dos aliados. Para nós, comunistas, isso não é nenhuma novidade. Sabemos que os aliados adiaram o quanto puderam qualquer auxílio aos soviéticos, esperando que a URSS fosse derrotada pelos nazistas para, assim, acabar de vez com o socialismo, que tanto os amedrontava. No entanto, para o grande público essa verdade ainda não chegou. Geoffrey critica, inclusive, a ignorância histórica generalizada dos americanos ao pensarem que os EUA venceram a II Guerra Mundial.

Geoffrey afirma que, sem a liderança de Stalin, a URSS poderia até ter perdido a guerra. Stalin, para ele, é a figura mais importante da primeira metade do século XX, cujo principal papel na II Guerra foi manter a unidade e a coesão de seus liderados. Isso foi possível pois Stalin inspirava confiança entre a população soviética em geral e era, ele próprio, um símbolo de todo um país unido. Na opinião de Geoffrey, toda a guerra gira em torno de suas habilidades de coordenação. Stalin é o grande herói não apenas da URSS, mas sim de todos os povos aliados.

E afirma: a URSS poderia ter vencido a guerra sozinha. Isso custaria mais vidas e levaria um tempo maior, mas poderia ter vencido sozinha. Enquanto a historiografia burguesa exalta o papel do "Dia D" como o belo dia em que os aliados se uniram para derrotar Hitler, sabemos muito bem que esse "Dia D" só aconteceu porque os aliados perceberam que a URSS tinha condições de derrotar Hitler sozinha e que o socialismo não seria derrotado ali.

Os números não nos deixam mentir: enquanto a Inglaterra perdeu em torno de 400 mil pessoas, a URSS perdeu 27 milhões de vidas. São números impressionantes, cuja omissão pela imprensa burguesa deve ser considerada um crime.

A entrevista está em inglês.



Fonte: Red Ant Liberation Army

Inflação é causada por ação de especuladores e cartéis na economia

Em sua última reunião, realizada no dia 20 de abril, o Comitê de Política Monetária do Banco Central voltou a aumentar a taxa básica de juros, a Selic, de 11,75% para 12%. Apesar de ser o terceiro aumento desde o início do ano, de acordo com a ata da reunião novos aumentos virão: "o ajuste total da taxa básica de juros deve ser, a partir desta reunião, suficientemente prolongado". O aumento dos juros é uma das principais medidas defendidas pelos economistas burgueses para combater a inflação. Segundo eles, fortes aumentos de juros levam à diminuição do consumo e a queda dos preços.

Com a decisão, o Brasil segue sendo o país que tem a maior taxa de juros reais do mundo (taxa de juros menos a inflação). Justificando essa política monetária, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, declarou na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) que "É importante moderar o crescimento da demanda mas sem matar a galinha dos ovos de ouro, que é o mercado interno".

Num país onde 79 milhões de pessoas se mantêm com renda familiar abaixo de R$ 1.020,00 e 38% dos jovens vivem em situação de extrema pobreza é, no mínimo, uma estupidez falar em diminuir consumo, quanto mais adotar uma política econômica com esse objetivo.

Política essa que tem se mostrado totalmente ineficaz. De fato, há anos o Brasil tem a maior taxa de juros do mundo, mas a inflação não para de crescer. Em 2010, a inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), atingiu 5,91% e a previsão é que alcance 6,5% este ano. Assim, além de ter a maior taxa de juros, o Brasil é o 4º país do mundo em inflação; só perde para Índia, Rússia e Argentina.

Na realidade, a inflação é apenas um pretexto para aumentar a taxa de juros, pois se houvesse interesse em combatê-la, a primeira coisa a fazer seria analisar em profundidade suas reais causas.

Nesse sentido, é quase unanimidade que a recente alta dos preços (43% de aumento nos preços dos alimentos) deve-se em grande parte à ação dos especuladores, isto é, dos bancos e fundos de investimentos, com as chamadas commodities, principalmente petróleo e alimentos. A própria FAO, órgão da ONU para Alimentação e Agricultura, em seus relatórios, tem afirmado que a principal causa da elevação dos preços dos alimentos no mundo é a especulação, como deixou claro Olivier de Schutter, relator da ONU para o Direito à Alimentação: "os preços do trigo, do milho, e do arroz têm aumentado significativamente, não por causa de estoques ruins ou más colheitas, mas devido aos especuladores".

Num mundo que vive uma das maiores crises econômicas da história, em que o número de desempregados é cada dia maior, mais de um bilhão de pessoas passam fome e outros dois bilhões vivem com menos de US$ 2 dólares por dia, não se pode levar a sério uma análise econômica que credita a alta dos preços dos alimentos ao crescimento do consumo.

Com a bancarrota da economia capitalista, queda do dólar e incerteza quanto à capacidade dos Estados Unidos e demais países capitalistas ricos pagarem suas dívidas públicas, como mostraram os casos da Grécia, da Irlanda e de Portugal, os donos do capital, bancos e monopólios deixaram de investir em títulos da dívida desses países e passaram a especular com alimentos e combustíveis.

Desse modo, se realmente se pretende combater a inflação, é preciso agir contra esses especuladores que para obterem lucros maiores provocam a subida dos preços dos alimentos e aumentam a fome no mundo.

Como o Brasil é um dos maiores exportadores de alimentos do planeta, bastaria destinar parte das exportações para o mercado interno para ocorrer uma queda dos preços dos alimentos, e, consequentemente, da inflação em nosso país. Nem pensar, proclamam os economistas burgueses, é preciso deixar agir "livremente" as forças do mercado. Porém, no caso dos juros, como vimos, eles defendem a intervenção firme do governo.

Vamos aos fatos. Nas duas últimas semanas de abril, o preço do álcool anidro subiu 27,8%. Os usineiros, promovidos a heróis nacionais pelo presidente Lula, dizem que o motivo é que a produção é insuficiente para atender ao consumo. Esquecem que estamos em plena safra da cana e que o preço do custo de produção do álcool, segundo o professor Walter Belik, do Instituto de Economia da Unicamp, está entre R$ 0,30 e R$ 0,35 por litro, mas ele sai das usinas por R$ 2,38 o litro. Contra essa roubalheira, nada faz o governo. Diz que cabe ao mercado, quer dizer, aos usineiros (hoje, em sua maioria empresas multinacionais), decidir o preço do álcool.

Outro vilão da inflação é a carne bovina, que teve um aumento 32% no ano passado, de acordo com a Fundação Getúlio Vargas. Ora, o Brasil tem um dos maiores rebanhos de gado do mundo e é o maior exportador mundial de carne bovina. Deveria, assim, ter a carne mais barata do mundo, mas graças às "livres forças do mercado", não é o que acontece; há muito que o prato de comida do trabalhador não vê carne.

Ainda contribuíram para a inflação os extorsivos aumentos das tarifas do transporte coletivo ocorridas recentemente em várias capitais. Mas, também aqui, o governo não moveu nenhuma palha, nem mesmo pediu que as empresas mostrassem suas planilhas com o aumento dos custos ou, pelo menos, exigiu que aumentassem os miseráveis salários dos motoristas e cobradores. Os donos das empresas de ônibus aumentaram as passagens e o governo mandou a polícia militar e a guarda municipal reprimir os que ousaram protestar contra esse abuso.

Tem mais. Embora desde a privatização, as empresas de energia elétrica tiveram aumentos superiores à inflação (nos últimos dez anos, a energia elétrica aumentou 186% enquanto a inflação, segundo o IGP-M, foi 124%), no final de abril, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou novo reajuste acima da inflação e maior do que reivindicaram as empresas.

Vejamos: a Ampla, que distribui parte da energia no Rio de Janeiro, pediu à Aneel reajuste de 6,45% a 9,55%, e ganhou 11,8%. A Cemig pediu até 8,8% e recebeu autorização para aumentar para 9,02%, e a CPPL, de São Paulo, queria 6,71% e recebeu autorização para aumentar 7,72%.

È difícil acreditar que se quer combater a inflação sendo tão generoso com os usineiros, os grandes fazendeiros, os especuladores, enfim, com a classe capitalista.

Porém, se a alta dos juros não tem diminuído a inflação, tem servido para enriquecer uma reduzida minoria de ricaços e parasitas. De acordo com dados do próprio Banco Central, os bancos nacionais e estrangeiros possuem 55% dos títulos da dívida interna, os fundos de investimentos 21%, os fundos de pensão 16% e as empresas não financeiras 8%.

Pois bem, somente com o aumento de 1,25% na taxa básica de juros, o governo aumentou em mais R$ 25 bilhões os gastos com juros. No total, ao terminar o ano, o Tesouro Nacional (leia o povo brasileiro) colocará nos bolsos dos banqueiros cerca de 230 bilhões reais. Isto é quase quatro vezes o que o Brasil gasta com a Saúde, 16 vezes o Bolsa Família e mais de cinco vezes o que é investido na Educação. O pior é que mesmo pagando anualmente essa fortuna, a totalidade da dívida pública atingiu a astronômica cifra de R$ 2 trilhões e 241 bilhões de reais.

Portanto, o combate à inflação é apenas uma cortina de fumaça para justificar a continuidade de uma política criminosa com o dinheiro público que visa a beneficiar os bancos nacionais e estrangeiros. Aliás, é com estes banqueiros que o presidente do BC se reúne antes de cada reunião do Copom. Um exemplo: no dia 24 de março, em São Paulo, o presidente do BC participou de um delicioso jantar com um grupo de 17 empresários e banqueiros na casa de Luiz Fernando Figueiredo, sócio da Mauá Sekular Investimentos.

Como se sabe, para garantir o pagamento de juros a este seleto grupo de parasitas, o governo cortou R$ 50 bilhões do Orçamento, isto é, tirou de investimentos na economia e congelou os salários dos servidores públicos. Conclusão: quando o governo aumenta a taxa de juros não está combatendo a inflação, mas sim transferindo renda dos trabalhadores para uma oligarquia financeira.

Luiz Falcão


A relação entre Lenin e Stalin

Trechos retirados da biografia de Lenin, de autoria do Instituto de Marxismo-Leninismo de Moscou, 1943, p. 181-183.

"Lenin demonstrava uma excepcional preocupação por Stalin. Em julho de 1921 ele recebeu notícias do Cáucaso do Norte dizendo que Stalin estava doente. Ele imediatamente enviou a seguinte nota para Orjonikidze: 'Primeiro: me informe do estado de saúde de Stalin e a opinião dos médicos sobre isso.'Alguns dias depois ele telegrafou novamente: 'Deixe-me saber o nome e o endereço do médico que está cuidando de Stalin e me diga quantos dias mais Stalin ficará afastado.'

"Muitas outras vezes ele telegrafou para Orjonikidze: 'Estou surpreso que você está tirando Stalin de seu repouso. Ele deve descansar pelo menos de 4 a 6 semanas.'

"Lenin também demonstrou preocupação pelas condições sob as quais Stalin vivia. Em uma nota ao Comandante do Kremlin ele informou a este último (em novembro de 1921) que o apartamento de Stalin era barulhento e que Stalin não podia dormir à noite (havia uma cozinha no apartamento ao lado da qual sons eram ouvidos desde bem cedo até tarde da noite). Ele então requisitou que Stalin fosse transferido para um apartamento mais calmo, que isso fosse feito imediatamente e que ele fosse informado quando estivesse pronto.

"Em uma nota a seu secretário escrita em dezembro de 1921, Lenin escreveu: 'Quando Stalin levantar (não o acorde) diga a ele que a partir das 11 da manhã eu estarei em uma reunião (no meu quarto) e que eu estou pedindo seus números de telefone (se ele tiver que sair) porque eu tenho algo para falar com ele ao telefone.'

[...]

"Depois do Congresso *, o Comitê Central, sob proposta de Lenin, elegeu Stalin - fiel discípulo de Lenin e seu mais próximo companheiro - como Secretário Geral do Comitê Central, e este posto Stalin ocupa sem interrupção desde então."


NOTAS

* Isso é, o 11º Congresso do Partido, o último do qual Lenin participou. Nota do tradutor.


Tradução realizada pelo blog "O Marxista-Leninista".

Marcha contra Wall Street reúne milhares em Nova York

Cerca de 10 mil pessoas participaram, quinta-feira, de um protesto nas imediações do coração do mundo financiero: a Bolsa de Valores de Nova York. Os manifestantes marcharam pelas ruas da cidade para exigir que os bancos e os empresarios ricos paguem os custos da crise econômica que eles causaram, e não os trabalhadores que enfrentam uma onda de demissões e um ataque político em nível nacional contra seus direitos trabalhistas.Um grupo de professores que participou da manifestação garantiu: “esta é a última vez que nos comportamos bem; na próxima, tomaremos a cidade”. O artigo é de David Brooks, do La Jornada.


Nova York, 12 de maio – “Fuck Wall Street”, gritava hoje um manifestante ao marchar pela área, enquanto que a polícia impedia que milhares de professores, funcionários públicos, de manutenção e de vários setores de serviços, imigrantes, estudantes e ativistas comunitários se aproximassem do monumento do mundo financeiro: a Bolsa de Valores de Nova York.

Os manifestantes – mais de 10 mil segundo alguns cálculos – marcharam pelas ruas ao redor do setor financeiro e político desta cidade para exigir que os bancos e os empresários ricos paguem os custos da crise econômica que eles mesmos detonaram, e não os trabalhadores que enfrentam uma onda de demissões e um ataque político em nível nacional contra seus direitos trabalhistas.

O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, quer demitir mais de 5 mil professores, fechar várias estações de bombeiros, reduzir serviços para crianças e programas para habitantes da terceira idade, entre outras medidas para equilibrar o orçamento. Por outro lado, nega-se terminantemente a aumentar os impostos para os ricos, sobretudo para o setor financeiro, com o argumento de que isso teria um efeito negativo na economia.

Mais emprego e mais serviços públicos
"Ouça, Bloomberg, o que diz disso? Quantos cortes ordenaste hoje?", gritava uma parte da marcha enquanto outros caminhavam desde vários pontos para deixar quase cercada a famosa rua de Wall Street. Acompanhados por bandas de metais e tambores, gritavam palavras de ordem contra a avareza empresarial e carregavam cartazes com demandas de emprego, escolas, serviços públicos e que os ricos paguem pelo desastre que criaram. “Nós pagamos impostos. Por que vocês não pagam?” – gritavam ao passar na frente de luxuosos edifícios. Poucos antes de partir, um contingente de professores advertiu entre aplausos e gritos: “esta é a última vez que nos comportamos bem; na próxima, tomaremos a cidade”.

Os governos em nível municipal, estadual e federal estão aplicando a mesma receita de austeridade por todo o país, acompanhada de um ataque feroz contra os sindicatos e, em alguns casos, contra os imigrantes. A história é a mesma: para resolver o déficit orçamentário provocado pela pior crise financeira e econômica desde a Grande Depressão, a decisão política é repassar o custo para os trabalhadores.

Ao mesmo tempo, os executivos e suas empresas desfrutam de uma prosperidade sem precedentes. O Wall Street Journal reportou que a remuneração para os principais executivos das 350 maiores empresas do país aumentou 11% e, em valor médio, chega a 9,3 milhões de dólares, um prêmio por seu grande trabalho em reduzir custos e elevar os rendimentos de suas empresas. Os líderes em receita são Phillipe Dauman, da Viacom, com 84,3 milhões de dólares anuais, seguido por Lawrence Ellison, da Oracle, com 68,6 milhões de dólares, e Leslie Monnves, da CBS, com 53,9 milhões de dólares.

Essa receita econômica é acompanhada de uma feroz ofensiva política contra trabalhadores e seus sindicatos. Forças conservadoras, tanto no âmbito político como no empresarial, promovem medidas com o propósito explícito de destruir sindicatos, em particular os do setor público. Iniciativas neste sentido foram promovidas em estados como Wisconsin, Michigan, Indiana e Ohio, entre outros, onde além de propor reduções de salários e direitos dos trabalhadores, incluem-se medidas para anular os direitos de negociação de contratos coletivos.

Dois estados, New Hampshire e Missouri, promoveram projetos de lei para somar-se aos 22 estados que têm leis com o nome orwelliano de “direito a trabalhar”, que, na verdade, limitam severamente a sindicalização ao permitir que os trabalhadores optem por não se filiar a sindicatos estabelecidos no setor privado. No total, 18 estados impulsionaram esse tipo de iniciativa somente no último ano, todos com a justificativa de que são necessárias para diminuir o déficit e quase todas promovidas por legisladores ou governadores republicanos, relatou ainda o Wall Street Journal.

As leis têm o objetivo de debilitar o poder político dos sindicatos que costumam apoiar o Partido Democrata e iniciativas liberais no país.
Isso levou a uma rebelião que reuniu centenas de milhares de trabalhadores em Wisconsin no início do ano, a qual se somaram estudantes, agricultores, imigrantes e organizações comunitárias que, durante várias semanas, tomaram o Capitólio doestado como parte de uma mobilização popular que gerou esperança neste país, e que muitos – incluindo os manifestantes – compararam com o que estava ocorrendo no Egito.

“Protesta como um egípcio”, foi uma das consignas da mobilização.
“Estamos com Wisconsin”, lia-se em cartazes e ouvia-se nas palavras de ordem nesta quinta-feira em Nova York. Do mesmo modo, surgiram expressões de resistência em Michigan, Ohio e Indiana contra medidas para debilitar os sindicatos.

Na Califórnia, os professores da California Teachers Association lançaram esta semana um movimento chamado Estado de Emergência para pressionar os legisladores a por fim aos cortes na educação. O sistema educacional sofreu cortes de 20 bilhões de dólares em três anos e 30 mil professores foram demitidos neste Estado.

Esta semana uma funcionária federal que está por ser demitida enfrentou o
presidente Barack Obama em um fórum transmitido pela televisão e perguntou-lhe o que faria se estivesse em seu lugar. Obama respondeu que é um momento difícil e tentou dar explicações, mas não conseguiu responder a pergunta.

Noam Chomsky escreve que o que está ocorrendo nos Estados Unidos é parte de uma guerra entre Estado e corporações contra os sindicatos, que está sendo travada em nível mundial deixando os trabalhadores em uma condição de precariedade como resultado de programas de enfraquecimento dos sindicatos, flexibilização e desregulação.

Mas os manifestantes de Nova York, nesta quinta-feira, também falaram do surgimento de uma resposta de resistência e rebelião que, embora ainda não seja massiva, vem ganhando pouco a pouco dimensões surpreendentes. Tom Morelli, ex-integrante de Rage Agains the Machine (banda hardrock dos EUA, uma das mais influentes e polêmicas da década de 1990), afirmou que os sindicatos são um contraponto crucial contra a cobiça empresarial que afundou a economia e ameaça o meio ambiente e o futuro.

Depois de participar das mobilizações de trabalhadores na capital de Wisconsin, disse que, de Cairo a Madison, os trabalhadores estão resistindo e os tiranos estão caindo, e apresentou uma nova canção que, segundo ele, é uma trilha sonora para a luta nos EUA. A letra afirma: este é uma cidade dos sindicatos/mantenham a linha; se vocês vierem retirar nossos direitos/vamos enchê-los de porrada.


David Brooks - La Jornada
Tradução: Katarina Peixoto
Fotos: Elizabeth Coll/La Jornada

O capital quer a sua alma

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Original de Sidewalk Bubblegum © - Tradução de Glauber Ataide

Alternância de Poder como instrumento de controle burguês

Por Raphael Tsavkko

Alternância de poder é o nome bonito que a burguesia, a elite, usa para garantir que nenhum governo de Esquerda possa durar mais do que o tempo que esta elite permitir.

Alternância de poder é a forma pela qual a burguesia faz parecer que respeita a democracia, criada por ela, a mesmo tempo em que nada muda. De forma inteligente, transformam a alternância em algo ligado apenas à pessoa, ao indivíduo, mas jamais ao partido ou ao grupo político em si.

A idéia de alternância é corrompida por uma elite interessada em se perpetuar, e ao mesmo tempo, acaba demonstrando uma falha tradicional das esquerdas, que é a insistência em fabricar líderes personalistas e não uma variedade de quadros de renome.

A elite fabrica um número quase infinito de candidatos, investe quanto dinheiro tiver interesse neles e pode trocá-los de tempos em tempos, fazendo parecer que houve alguma alternância, quando, na verdade, mudou a figura teoricamente no poder, mas não a classe por trás, não os que se beneficiaram do governo e muito menos mudou o modelo, a estrutura.

A esquerda, por outro lado, tem a tradição de ter um nome forte, um Chávez, um Morales (até mesmo um Vargas para determinados grupos) que, ao buscarem se re-eleger - pois dificilmente fazem sucessores tão fortes quanto eles - são acusados pelas forças conservadoras de desrespeitar o princípio sagrado da alternância de poder, simplesmente porque seu modelo de governo não corresponde aos anseios da elite.

O fato de "democracia" significar, em termos eleitorais, que quem tem mais votos vence, sempre que o vencedor se opõe, mesmo que minimamente, aos interesses da elite, é tachado de ditador (ou ditatorial).

Sempre aquele que se elege distante dos interesses da burguesia é chamado de perigo para esta mesma democoracia. É um perigo que alguém possa, dentro de um modelo criado para as elites, se perpetuar, chegar ao poder e ficar.

As elites apenas fingem que o poder está nas mãos do povo (apesar do voto ser igual pra todos, a mídia está nas mãos da elite, que pode manipular aqueles que votam), na verdade seu interesse é dar a impressão de que o povo decide, mas é seu poder econômico, representado pelo consumismo, pela propaganda, pelo mais puro marketing que (deve) prevalecer.

Quando isto não funciona, a democracia está em perigo.

Isto pode ser perfeitamente ilustrado por uma notícia recente do Opera Mundi, em que o candidato às eleições peruanas Alvaro Toledo, que acabou longe do segundo turno, a ser disputada por Keiko Fujimori e Ollanta humala, anuncia a todos que a "democracia está ameaçada" porque o candidato em primeiro lugar é um socialista aos moldes Chavistas, logo, não representa os interesses da elite que Toledo representa.

A direita brasileira também é incrível. Partidos hoje com nomes irônicos como "Democratas" ou "Partido Popular" foram base de sustentação do regime absolutamente anti-democrático conhecido como Ditadura Militar, mas posam de defensores eternos da democracia. Muitos relembram com saudosismo o período em que a alternância de poder se dava entre generais, sem qualquer participação popular.

Muitos destes hoje se declaram defensores da democracia (apenas porque ainda lhes garante lucros), mas não se cansaram de bradar que Lula era um ditador, por ter virado um objeto de adoração por parte de ampla camada da sociedade. Fernando Henrique pressionou o congresso para criar o instrumento da reeleição - que não existia antes - para que este pudesse continuar no poder. Por representar os interesses das elites, não houve reclamação.

A mídia criou o factóide de que Lula iria buscar uma segunda re-eleição, e foi uma gritaria.

Mesmo que Lula não tenha sido em si um opositor das elites - em muitos aspectos defendeu ou não se opôs a seus interesses -, seu discurso as desconcertava.

Exemplos semelhantes são inúmeros, inesgotáveis. A idéia central, enfim, é a de que a Alternância de Poder é um instrumento tipicamente burguês enquanto compreendido apenas como a troca de nomes, de figuras simbólicas, mas sem que haja qualquer modificação nas estruturas.