Paulo Wright, cristão e subversivo

Paulo Stuart Wright nasceu no dia 2 de junho de 1933 em Joaçaba, interior de Santa Catarina, filho de um casal de pastores presbiterianos estadunidenses: Latham Ephraim Wright e Maggie Belle Miller Wrigt. A Igreja Presbiteriana surge na França no Século XVI, tendo como referência as teses de João Calvino. Assim como Lutero, na Alemanha, Calvino se insurge contra a Igreja Católica Romana, vinculada aos interesses feudais, e propõe o retorno ao evangelho de Cristo. Para Calvino, o trabalho justo é a medida que define se o ser humano está entre os escolhidos para a salvação divina.

Aprendendo o Valor do Trabalho

Por isso, na infância, o pai não lhe transmitiu apenas os ensinamentos bíblicos. Ensinou o valor do trabalho. As crianças ajudavam nas tarefas de casa, a cuidar de um pequeno roçado, a preparar o suco de uva; as tarefas eram distribuídas de acordo com a idade e as condições de cada uma, naturalmente.

Concluído o Primário, foi para o Instituto Metodista de Passo Fundo (RS) e terminado o científico, foi para os Estados Unidos, onde cursou sociologia e política. Já viajou noivo de Edimar Rickli, a Edi. Nas férias, arranjava emprego na construção civil e participava das greves da categoria. Escreveu para a noiva: "Minhas mãos já estão calejadas de manejar a pá. O seu noivo agora conhece o que significa trabalho". Falava também com ternura: "Eu a amo numa forma maior do que posso medir ou explicar". Como tinha também cidadania norte-americana, foi convocado para servir às Forças Armadas. Com certeza, teria ido para a Guerra da Coréia (1950-1953). Foge dos EUA.

São Paulo, novembro de 1956. Paulo Wright tira sua carteira profissional e registra como profissão, servente. Não se satisfazia em defender os operários; queria ser um deles. Mas em dezembro de 1956, dona Belle morre e Paulo se vê na obrigação de não deixar o pai sozinho. De volta à pequena Joaçaba, emprega-se como torneiro mecânico numa pequena indústria. Ajudou a fundar o sindicato dos metalúrgicos e apoiou a organização dos trabalhadores da construção civil e da indústria do papel e papelão. Entende que para contribuir com a libertação do povo, é preciso atuar também na política partidária. Ingressa no Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e se candidata a vereador em 1958, mas não é eleito.

Em 1959, o pai decide regressar para os Estados Unidos e Paulo volta com Edi, já casados, para São Paulo. Foi contratado como torneiro mecânico na Lambretta do Brasil S.A, e logo se tornou sócio do sindicato dos metalúrgicos. Continuava atuando na Igreja. Escreve no jornal da Juventude Presbiteriana: "O nosso testemunho no campo missionário e político é estarmos ao lado dos deserdados, sofrendo com os que sofrem, chorando com os que choram, nos alegrando com os que se alegram".

No dia 10/10/59, nasce seu primeiro filho, Charles, que não sobrevive ao parto complicado por falta de assistência médica na Maternidade da Lapa, onde nasciam os filhos dos operários. Em 1960, assume a Secretaria Regional da União Cristã de Estudantes do Brasil. Declara: "...Nossa maneira de amar o próximo deve ir além de ajudar aos mais necessitados. Devemos levar a sério nossa responsabilidade de acabar com a miséria e o analfabetismo".

Nesse ano (1960), o casal volta para Joaçaba (SC), onde Paulo se candidata a prefeito e perde por apenas 11 votos. A direita usou como estratégia de campanha a idéia de que o povo não devia votar em comunista.

Foi chamado para dirigir a Imprensa Oficial do Estado. Mudou-se para Florianópolis, onde, em outubro de 1961, nasceu a filha, Leila Cristina. Dedicou-se a organizar os pescadores numa rede de cooperativas, para se livrarem dos atravessadores. Em 1962, é fundada a Fecopesca, com 27 cooperativas associadas. Foi acusado pela direita, de organizar "Ligas Marítimas Comunistas", numa referência às Ligas Camponesas do Nordeste.

Mandato a Serviço do Povo

Em 1962, sem espaço no PTB, se elege deputado estadual pelo Partido Social Progressista (PSP). Seu mandato foi dedicado à organização dos trabalhadores, ao fortalecimento da Fecopesca, das entidades estudantis e populares. Escreve para um jornal estudantil: "...O foco de nossa atenção se concentra na luta pela construção de uma nova sociedade, para a formação de um novo homem".

Em 1963, nasce seu filho, João Paulo, que veio trazer muita alegria, especialmente para Leila, então com dois anos, uma companhia para brincar. No mesmo ano, nasce a Ação Popular (AP), formada por militantes jovens oriundos da Juventude Universitária Católica (JUC), União Cristã de Estudantes do Brasil e Associação Cristã dos Acadêmicos. A AP definia como objetivos mobilizar, organizar e conscientizar o povo brasileiro contra o capitalismo internacional, nacional e o feudalismo, priorizando as organizações operárias e camponesas.

Paulo se envolveu completamente na construção da AP. As forças organizadas das classes dominantes travam na Assembléia um combate a ele por suas "idéias comunistas". O próprio PSP, partido pelo qual se elegeu, pressiona para que renuncie. Seu primeiro suplente, Manoel Santos (Mané Bicheiro) contrata um pistoleiro para matá-lo. Trata-se de um sargento da Polícia, que procura a vítima para ver se ele concorda em cobrir a oferta. Paulo convence-o a desistir da empreitada e juntos prestam uma queixa na Secretaria de Segurança Pública.

Cass(ç)ado pela Ditadura

Abril de 1964. O Golpe de Estado civil-militar derruba o governo de João Goulart. Vozes raras como Leonel Brizola e Paulo Wright pregam a resistência. A ditadura pressiona por sua cassação. Esta se dá em maio do mesmo ano, sob a fundamentação de "incompatibilidade com o sistema democrático que nos incumbe, como Assembléia da Revolução, defender e preservar".

Acuado, ameaçado, Paulo se refugia na embaixada do México e sai do país. Do México, segue para Cuba, onde não pretende demorar. O tempo foi bem aproveitado. Visitou vários lugares, conversou com o povo, com missionários, com revolucionários, e participou de treinamento militar. Pensava, entretanto, que no Brasil não havia condições de desencandear a guerra de guerrilhas.

Nas palestras em território cubano, destacava que "Ao mesmo tempo, o homem pode ser cristão e socialista e muitos cristãos o são. No mundo de hoje, se vislumbra uma coincidência entre as aspirações dos cristãos e dos socialistas quanto à vida humana".

Luta pelo Socialismo

Em 1965, aos 32 anos de idade, já chamado pelos garotos revolucionários de "tio", Paulo Wright volta ao Brasil com o codinome de "João", certamente para homenagear o filhinho. Integra a direção da AP.

Na clandestinidade, dedica-se de corpo e alma à organização da AP. Em 1967, um grupo de dirigentes foi conhecer a experiência chinesa, enquanto Paulo representou a Organização em Havana, na conferência da OLAS (Organização Latino-americana de Solidariedade). Considerou que a estratégia do foco guerrilheiro não se adequava à nossa realidade. Esta discussão provocou no ano seguinte o primeiro racha na AP. Seu amigo, padre Alípio Freitas, foi um dos que saiu e ajudou a fundar o PRT (Partido Revolucionário dos Trabalhadores).

A maioria dos militantes permaneceu na AP e se aprofundou na linha chinesa, adotando o lema da proletarização. O Revolucionário tinha de ser proletário, sofrer a exploração capitalista, viver no meio do povo como peixe dentro da água. Para Paulo, isso não era novidade. Como dirigente, acompanhou as mudanças, que nem todos suportaram. Mas ele defendia que os que não tivessem condições de se proletarizar, deveriam continuar contribuindo com a organização na medida dos seus limites pessoais.

A AP desenvolveu experiências no meio operário (ABC paulista) e no campo: Vale do Pindaré (MA), Zona do Cacau (BA), Água Branca (AL) e Zona Canavieira de Pernambuco. Em março de 1971, a AP se define como Ação Popular Marxista-leninista (APML), tendo como guia os princípios de Marx, Lênin e Mao-Tsé-Tung.

No final de 1970, Edi não suporta mais a situação instável do casamento e pede o desquite. Diz em carta ao cunhado, Jaime Wright: "Continuo a admirar o trabalho do Paulo, no entanto eu não consigo acompanhá-lo". Em março de 1971, a sentença judicial determina o desquite "por estar provado o abandono voluntário do lar conjugal".

A luta interna se aprofundou, quando a maioria da direção da APML defendeu sua incorporação ao Partido Comunista do Brasil (PC doB). Entre a minoria, estão Jair Ferreira de Sá e Paulo Wright. Eles consideram que essa fusão significa dar um passo atrás na luta pela libertação da classe operária da dominação político-ideológica burguesa. Para eles, o caráter da revolução brasileira é socialista. O fundamento é o esvaziamento progressivo do campo e o crescimento da industrialização, com perspectiva de em 10 anos, 70% da população estar nas cidades. Para conduzir essa revolução, preconizam um partido de novo tipo

Em outubro de 1972, são destituídos dos cargos de direção. A maioria decide a incorporação ao PCdoB. Os remanescentes permanecem como APML, que fica conhecida como AP Socialista.

Paixão e Morte na Semana da Pátria

Setembro de 1973. A Repressão prepara na Semana da Pátria o cerco à AP, independentes ou integracionistas. 38 militantes são capturados no Recife, Rio, São Paulo e em Salvador.

Paulo Wrigt tinha um encontro com Osvaldo Rocha. Pegaram um trem no sentido São Paulo-Mauá. Os agentes também. Eles perceberam. Tentaram despistar. Osvaldo desceu antes. Foi preso ao chegar a casa. Paulo desceu depois; nunca mais foi visto. Na sala de tortura da Operação Bandeirantes (OBAN) do DOI/Codi de São Paulo, Osvaldo viu no chão a camisa com que Paulo estava vestido no seu último encontro.

O Reverendo Jaime Wrihgt, irmão e confidente de Paulo fez de tudo para descobrir seu paradeiro. Foi com um pastor, que também era tenente-coronel à OBAN, mas disseram que lá não havia nenhum preso com o nome do seu irmão. Brilhante Ulstra, torturador denunciado por vários sobreviventes, disse que havia encontrado uma pasta apenas com o título de eleitor de Paulo dentro, mas não o vira e de nada sabia. Jaime foi aos Estados Unidos, pois Paulo tinha dupla cidadania. Denunciou aos organismos internacionais de defesa dos direitos humanos, impetrou habeas corpus, e nada. Procurou Dom Paulo Evaristo Arns, a Comissão de Justiça e Paz. Pediu licença à Igreja Presbiteriana para trabalhar com dom Paulo e foi um dos coordenadores do projeto Brasil: Tortura Nunca Mais.

Paulo recebeu muitas homenagens. A Assembléia Legislativa de Santa Catarina revogou sua cassação em 1985. Um Plenarinho da Assembléia tem o seu nome, que também denomina logradouros públicos no Rio, Curitiba e Florianópolis. A Medalha Chico Mendes de Resistência foi dedicada a ele em 1991. O Estado brasileiro assumiu a responsabilidade por sua morte (Anexo da Lei 9.140/95).

Fonte: O Coronel tem um segredo - Paulo Wright não está em Cuba. Delora Jan Wright, Petrópolis, 1993

José Levino, historiador

Stálin na atual Rússia

À medida que cresce o prestígio de Stálin na atual Rússia, a burguesia intensifica sua sórdida campanha caluniadora.

A Duma apreciou hoje (26/11) um rascunho de pronunciamento para considerar o massacre de Katyn como um "crime stalinista". (Veja a notícia em http://english.ruvr.ru/2010/11/26/35659127.html)

Por outro lado, a atual edição da revista Northstar Compass (nº 10, Nov\2010) informa que um canal de televisão de Moscou conduziu a seguinte pesquisa:

Quem é Stálin para você?

65% - um herói e um gerente muito eficiente
35% - um criminoso

À medida que o tempo passa, os resultados de tais pesquisas na Rússia tem se mostrado cada vez mais pró-Stálin, a despeito da intensa propaganda difamadora do grande líder, interna e externa.

A importância da luta armada na história do Brasil

Durante o período eleitoral foi muito comum o ataque dos candidatos da extrema direita à candidata do PT, Dilma Rousseff, chamando-a de terrorista. Usaram este termo referindo-se ao período em que Dilma participou de movimentos da esquerda armada contra a ditadura militar.

Não foi a primeira vez (e não será a última) que a direita dá o nome de terrorista a alguém que pega em armas para defender seu país. Na verdade, mais do que apenas caluniar através da mídia, a direita tenta transformar movimentos armados em terroristas, corrompendo elementos e manipulando as informações. É o que aconteceu com o Partido Panteras Negras, movimento armado em defesa dos negros nos EUA nos anos 1960, que foi difamado pelo governo, que infiltrou drogas e traficantes nas comunidades negras. Também é o que acontece hoje com as Farc, movimento revolucionário da Colômbia, ao qual a mídia atribui várias ações terroristas de traficantes e do próprio governo. Recentemente, a revista Veja chamou até o grande revolucionário Che Guevara de terrorista.

Mas antes de aceitarmos que os jovens que lutaram contra a ditadura militar - ditadura que censurou a imprensa e a educação, que mais que duplicou nossa dívida externa e nossa dependência dos EUA, que impôs o medo a tantos brasileiros, que impedia a livre expressão e atuação política, que freou os avanços sociais do Governo Jango e acabou com as reformas de base fortalecendo a desigualdade social no Brasil - é importante lembrarmos o papel da luta armada em toda a história do Brasil.


A história do Brasil é a história da resistência do povo brasileiro. Na época da colônia foram as revoltas dos índios contra a exploração portuguesa e até de outros países da Europa que vigoraram. Como a Confederação dos Tamoios (1555-1567), a Guerra dos Aimorés, na Bahia (1555-1673), e a Guerra dos Potiguares, na Paraíba e no Rio Grande do Norte (1586-1599). Depois começaram as resistências às Entradas e Bandeiras, expedições bandeirantes e bugreiras de exploração e captura de indígenas no interior do Brasil, que duraram até o século 17.


Por não conseguirem dominar a maioria dos índios e adequá-los à escravidão, os portugueses trazem mais escravos da África. Quase imediatamente começam a existir os quilombos e, finalmente, acontece a Guerra dos Palmares. Os quilombos foram formados no Brasil até o século 18 e ainda hoje existem diversas comunidades negras e quilombolas no país.


Durante quatro anos, de 1617 a 1621, ocorreu o levante dos tupinambás, numa brava resistência aos portugueses que abrangeu o Estado do Espírito Santo e a Bahia, e, na mesma época, a primeira Insurreição Pernambucana, a Guerra da Luz Divina. Em São Paulo houve a Revolta de Amador Bueno, insurreição popular de 1641. Em 1666, o Motim do Nosso Pai, em Pernambuco, e a Revolução de Beckman, ou revolta de comerciantes no Maranhão, de 1684 a 1685. E continuam as revoltas indígenas com a Confederação dos Cariris, na Paraíba e no Ceará (1686-1692), e com a Guerrilha dos Muras, já no século 18. Teve também a Guerra dos Emboabas entre bandeirantes e mineiros, em São Paulo e Minas Gerais, no início de 1700.


E aí se iniciam as revoltas contra as altas taxas e impostos, como a Revolta do Sal, em Santos (1710), a Guerra dos Mascates entre comerciantes e canavieiros, em Pernambuco (1710-1711), os Motins do Maneta, sublevações ocorridas em Salvador contra o monopólio do sal e aumento de impostos (1711), e a Revolta de Felipe dos Santos, revolta de mineradores contra a política fiscal em Minas Gerais (1720).


Com a ampliação do controle português sobre o território brasileiro, continua a resistência indígena, desta vez no Amazonas, a Guerra dos Manaus (1723-1728), e a Resistência Guaicuru, no Mato Grosso do Sul (1725-1744). E até os jesuítas se unem aos índios catequizados em luta contra Portugal e Espanha na Guerra Guaranítica no Sul (1751-1757).


Até que chegamos às revoltas pela independência do Brasil: a famosa Inconfidência Mineira republicana (1789), a Conjuração Carioca (1794-1795) e a Conjuração Baiana ou Revolução dos Alfaiates (1798), revolta independentista e abolicionista, a única das três que não foi abortada. E, já no século 19, a Conspiração dos Suassunas, em Pernambuco (1801), onde também se deu a Revolução Pernambucana, em 1817, a Revolução Liberal de 1821, na Bahia e no Pará, a Independência da Bahia (1821-1823) e finalmente a guerra da independência do Brasil contra militares legalistas portugueses, que abrangeu Bahia, Piauí, Maranhão e Pará (1822-1823).


Com o Império, novas revoltas: a Confederação do Equador, revolta separatista no Nordeste (1823-1824), a Revolta dos Mercenários, contra o Império do Brasil no Rio de Janeiro (1828), onde também ocorreu a Noite das Garrafadas, insurreição popular e confronto entre brasileiros e portugueses, em abril de 1831, e a famosa Cabanada, insurreição popular na província de Pernambuco.


Aí volta, cada vez mais forte, o desejo pela república, como na Federação do Guanais, na Bahia (1832), e a Rusga, que foi uma revolta entre conservadores (que queriam manter o Império) e republicanos, no Mato Grosso (1834). Houve a também famosa Cabanagem, insurreição popular no Pará (1834-1840), a Revolta dos Malês, na Bahia (1835), a Revolução Farroupilha, no Rio Grande do Sul (1835-1845), a Sabinada, insurreição popular na Bahia (1837-1838), a Balaiada, insurreição popular no Maranhão (1838-1841) e as Revoltas Liberais de São Paulo e Minas Gerais (1842) e a Revolta dos Lisos, em Alagoas (1844).


Em Pernambuco, houve o Motim do Fecha-Fecha (1844), o Motim do Mata-Mata (1847-1848) e a Insurreição Praieira, revolta socialista, de 1848 a 1850. A Revolta do Ronco de Abelha, no Nordeste (1851-1854), o Levante dos Marimbondo, em Pernambuco (1852), a Revolta da Fazenda Ibicaba, em São Paulo (1857), o Motim da Carne sem Osso, insurreição popular na Bahia (1858), a Revolta dos Muckers, insurreição popular-messiânica no Rio Grande do Sul (1868-1874), a Revolta do Quebra-Quilos, insurreição popular no Nordeste (1874-1875), a Guerra das Mulheres - uma insurreição popular no Nordeste (1875-1876) que mostra que as mulheres nunca foram passivas na história - a Revolta do Vintém, insurreição popular no Rio de Janeiro (1880) e Curitiba (1883), e, finalmente, a Proclamação da República, em 1889.


Quando os poderosos no Brasil veem que não vão conseguir parar as revoltas populares, eles vão e fazem algumas concessões ao povo sem perder o poder, mas com isso as revoltas não param, pois o povo quer uma mudança real que beneficie a todos e transforme a sociedade. Durante a República, teve a Revolução Federalista no Rio Grande do Sul (1893-1894), a República de Cunani, insurreição popular-separatista no Amapá (1895-1900), e a famosa Guerra de Canudos, insurreição popular-messiânica na Bahia (1896-1897).


Já no século 20, houve a Revolução Acreana, insurreição popular-separatista no Acre (1900-1903), a Revolta da Vacina, insurreição popular no Rio de Janeiro (1903), a Revolta da Chibata, no Rio de Janeiro (1910), a Guerra do Contestado, insurreição popular-messiânica em Santa Catarina e Paraná (1912-1916), a Sedição de Juazeiro, insurreição política no Ceará (1914), a Revolta dos 18 do Forte no Rio de Janeiro (1922) e, finalmente, a Coluna Prestes, insurreição militar de fama internacional (1923-1925) que aderiu à Revolta Paulista de 1924.


Por conta desses movimentos (o último deles com forte influência socialista), o governo pensou: "Façamos a revolução antes que o povo a faça." E aí veio a Revolução de 1930, golpe de Estado civil-militar, e a Revolução Constitucionalista de 1932, revolta político-militar e guerra civil em São Paulo, e, finalmente, a insurreição comunista no Rio de Janeiro, Pernambuco e Rio Grande do Norte (1935). Até na Segunda Guerra Mundial houve mais de 23 mil soldados brasileiros lutando para derrotar o nazismo.


Em 1964, acontece o Golpe Militar fascista, patrocinado pela burguesia nacional e apoiado pelos EUA, para deter os avanços que o povo vinha conseguindo depois de tanto sangue derramado para cada vitória do povo. E, como nunca faltaram à luta contra as injustiças, filhos do povo brasileiro novamente se armaram na cidade e no campo contra esse novo inimigo do avanço da luta popular, o Governo Ditatorial.


A luta armada e as guerrilhas urbanas e rurais de 1965 a 1972, foram terrivelmente reprimidas pelo regime militar, com requintes de crueldade e desumanidade. Inúmeros filhos do nosso povo foram barbaramente torturados e assassinados. Mas a luta não parou e por isso, hoje, temos nossa "liberdade democrática" que garante, por exemplo, a publicação do jornal A Verdade e a existência do PCR, também como fruto dessa luta armada e de outras lutas que vieram depois.


É claro que ainda há muito por que lutar, e, até hoje, filhos do povo são assassinados pela polícia fascista na luta por moradia e terra no país. Mas a luta não vai parar. A polícia pode nos chamar de terroristas, mas somos o povo brasileiro e lutaremos, se for preciso com armas na mão, até que toda desigualdade e exploração seja banida. Lutaremos até a construção da sociedade socialista.


Luanna Grammont de Cristo, Belo Horizonte

Fonte: http://www.averdade.org.br/modules/news/article.php?storyid=599

Guerrilheira holandesa das FARC nega sequestro

Tanja Nijmeijer, holandesa e talvez a única integrante não latino-americana das FARC's, grava vídeo desmentindo boatos de que estaria "sequestrada" pela guerrilha.

Neste vídeo, usando farda e portanto uma arma, ela diz que já que o governo está espalhando que ela está sequestrada, que então vá tentar resgatá-lá, e ele será recebido com AK, com "ponto 50", com minas e morteiros.


PIG anuncia vitória de Dilma


Emprestado do Cloaca News.

Onde o socialismo deu certo?


A pergunta "onde o socialismo deu certo?" é  geralmente lançada de forma meramente retórica, com o objetivo de referenciar supostas "provas concretas" da inexequibilidade deste modo de produção. Elaborar os problemas de forma correta, porém, já é mais da metade de sua solução. Perguntas (quase) sempre carregam pressupostos que não são assim tão evidentes, e aceitar respondê-las sem analisá-las resulta, várias vezes, em tomar pseudo-problemas como problemas reais.

No caso em questão é preciso esclarecer pelo menos dois pressupostos: em primeiro lugar, o que significa "dar certo"? E em segundo lugar, um sistema econômico ou político tem que "dar certo" para quem?

É evidente que o capitalismo "dá certo" para uma restrita camada da população mundial, enquanto fracassa miseravelmente para aqueles 815 milhões de pessoas que passam fome hoje no planeta. Um sistema com mais de quatro séculos de existência e que não foi capaz até hoje de solucionar problemas básicos como o da fome, do saneamento básico e da moradia deveria ser visto com muito ceticismo.

Vamos dar uma olhada em que medida o socialismo e também o capitalismo "dão certo". Inicialmente faremos algumas considerações sobre o socialismo cubano, depois sobre a União Soviética e o Leste Europeu e, por último, apresentaremos algumas estatísticas sobre o capitalismo no mundo inteiro.

O socialismo em Cuba

Cuba é um país pobre e, como todos os outros países da América Latina, uma ex-colônia. A análise de um país não pode abstrair de sua história. Para agravar esta herança, Cuba ainda sofre um bloqueio econômico por parte dos EUA há mais de 50 anos, o que lhe impede de ter relações comerciais normais não só com as empresas estadunidenses, mas também com empresas de diversos outros países devido à extensão do bloqueio.

Se Cuba tem algum problema econômico, este não começou com o socialismo, mas com a "pobreza" comum a todos os países do continente e anterior à revolução de 1959. Como se isso não bastasse, as dificuldades de Cuba se agravam com o criminoso bloqueio econômico que nenhum outro país da América sofre, e que nenhum outro país suportaria nem por 5 meses, quanto mais por 50 anos.

Quando dizem que o "modelo cubano" não funciona, os capitalistas pretendem comparar a riqueza dos países capitalistas com a pobreza dos cubanos.

Mas por que não comparar a pobreza dos países capitalistas com a pobreza dos países socialistas?

Qualquer comparação entre dois países deve considerar sua história e seu contexto. A colonização dos EUA e do Canadá, por exemplo, foi de um tipo bem diferente da colonização da América do Sul e da África.

Uma comparação honesta de Cuba com outro país deve tomar como parâmetro não os EUA ou a Inglaterra, mas sim países como o Haiti e Trinidad e Tobago, por exemplo.

O que encontramos, então, ao comparar a "pobreza" dos cubanos com a literal miséria do restante da América? Cuba possui o melhor sistema de saúde público e gratuito de todo o continente. Seu sistema educacional gratuito abrange toda a população. Seu índice de analfabetimo é o menor da AL, assim como da desnutrição infantil. Seu índice de desenvolvimento humano (IDH) também é o maior.

Isso seria "dar certo" ou não?

Vemos que isso depende dos parâmetros de avaliação, e também do para quem dá certo.

Confira neste link uma lista mais completa dos indicadores sociais cubanos:

http://omarxistaleninista.blogspot.com.br/2013/04/cuba-indicadores-sociais-e-economicos.html

Vejamos agora o caso da União Soviética, URSS.

O socialismo na URSS

A Rússia virou o século XX como um país semi-feudal, que ainda possuía um tsar. A revolução ocorreu em 1917. O país passou por difíceis períodos de guerra civil, perdeu mais de 25 milhões de pessoas na II Guerra Mundial, foi devastado com a invasão alemã, mas mesmo assim se tornou uma potência mundial, contando apenas com suas próprias forças para isso, ao contrário dos países imperialistas que receberam uma boa fatia do Plano Marshall para se reerguer.

Seu avanço tecnológico chegou a tal ponto que foi o primeiro país a enviar o homem para o espaço (o astronauta Yuri Gagárin), em 1961.

Vejam bem: de semi-feudal em 1917, ano da revolução, a URSS estava enviando o homem para o espaço em 1961.

Num espaço de apenas quatro décadas o país, sob o socialismo, saiu do arado de madeira para o espaço sideral.

Um documentário recente da BBC - insuspeita de quaisquer simpatias pela União Soviética - mostra que a URSS foi a verdadeira vencedora da corrida espacial, e não os EUA.

Neste parâmetro de avaliação, isso seria "dar certo" ou não?

Além de tudo aquilo que conhecemos através dos livros sobre os sistemas de saúde, de educação, de transportes, etc, já tive a oportunidade de conversar diretamente com um soviético (com quem trabalhei por um tempo) sobre como era a vida em seu país.

Ele, um cidadão comum da URSS, me disse que não conhecia pessoalmente nenhum indivíduo que não pudesse fazer faculdade, por exemplo. Me disse que não conhecia ninguém desempregado, e que o grande problema lá é que até faltava mão-de-obra. Lá ninguém era rico, mas também ninguém era "pobre".

É verdade que tanto na URSS como em todo o leste europeu houve um retrocesso ao capitalismo. Mas isso de forma alguma é um sinal de que o socialismo "não deu certo". O próprio capitalismo sofreu inúmeros retrocessos históricos antes de se estabelecer.

O socialismo no Leste Europeu

No caso do leste europeu há importantes fatores que determinaram este retrocesso e que quase nunca são mencionados neste tipo de discussão.

Em primeiro lugar, o leste europeu não se tornou socialista através de revoluções populares bem preparadas com um amplo trabalho de massas, apesar do enorme apoio dos partidos comunistas entre o povo. O socialismo foi implantado nesses países principalmente em virtude das circunstâncias existentes na Europa ao final da II Guerra Mundial.

Antes do término da guerra, esses países estavam sob governos fascistas, implantados por Hitler. Na famosa Conferência de Yalta chegou-se à conclusão de que eles não poderiam ser deixados "sozinhos" após a guerra, sob o risco da ameaça fascista ressurgir naquela região. Fixou-se então que a URSS ficaria encarregada por ela.

No entanto, os partidos comunistas desses países se encontravam desbaratados. Vários dos seus principais quadros e lideranças haviam sido assassinados pelos fascistas. Este foi um dos importantes fatores que não permitiram que o socialismo seguisse um rumo diferente do que poderia em condições normais.

Mas mesmo assim, quando comparamos o nível de desenvolvimento industrial desses países antes e depois da guerra (períodos capitalista e socialista), vemos como o socialismo avançou a indústria dessa "periferia" da Europa.

(A propósito, veja alguns dados comparando a situação do leste europeu nos períodos do socialismo e da volta ao capitalismo: Capitalismo, golpe fatal no Leste Europeu)

Além disso, ao contrário do que alguns costumam afirmar, não se pode considerar todo o leste europeu como "várias experiências" socialistas. Apesar das particularidades de cada país, todos constituem uma única experiência socialista, a experiência de praticamente um único modelo.

Enfim, o que essas e todas as experiências socialistas mostraram e continuam mostrando é que, ao contrário do que dizem, o socialismo é um sistema exequível.

A história não segue linearmente, isso é, como se fosse uma linha reta. O curso histórico talvez seja mais parecido com uma espiral, com seus recuos momentâneos. O próprio capitalismo sofreu diversos golpes e contra-revoluções, levando séculos para se estabelecer completamente. Por que esperar então que o socialismo fosse estabelecido de uma vez por todas com um só golpe?

Como o capitalismo dá certo

Para finalizar, apresento agora alguns dados sobre o capitalismo e inverto a pergunta: o capitalismo "dá certo"? O capitalismo "funciona"? O que seria "dar certo" no capitalismo? Ele "funciona" para quem?


População mundial: 6,8 bilhões, dos quais:

  • 1,02 bilhão têm desnutrição crônica (FAO, 2009)

  • 2 bilhões não têm acesso a medicamentos (www.fic.nih.gov)

  • 884 milhões não têm acesso a água potável (OMS/UNICEF 2008)

  • 924 milhões de "sem teto" ou que vivem em moradias precárias (UN Habitat 2003)

  • 1, 6 bilhão não tem eletricidade (UN Habitat, “Urban Energy”)

  • 2,5 bilhões não tem acesso a saneamento básico e esgotos (OMS/UNICEF 2008)

  • 774 milhões de adultos são analfabetos (www.uis.unesco.org)

  • 18 milhões de mortes por ano devido à pobreza, a maioria delas de crianças com menos de 5 anos (OMS)

  • 218 milhões de crianças, entre 5 e 17 anos, trabalham em condições de escravidão ou em tarefas perigosas ou humilhantes, como soldados, prostitutas, serventes na agricultura, na construção civil ou na indústria têxtil (OIT: A Eliminação do Trabalho Infantil: Um Objetivo a Nosso Alcance, 2006)

  • Entre 1988 e 2002, os 25% mais pobres da população mundial reduziram sua participação na riqueza global de 1,16% para 0,92%, enquanto que os 10% mais ricos acrescentaram mais riquezas, passando de 64,7 para 71,1% da riqueza produzida mundialmente. O enriquecimento de poucos tem como reverso o empobrecimento de muitos.

  • Só esse 6,4 % de aumento da riqueza dos mais ricos seria suficiente para duplicar a renda de 70% da população da Terra, salvando inumeráveis vidas e reduzindo as penúrias e sofrimentos dos mais pobres. Entenda-se bem: tal coisa seria obtida se tão só fosse redistribuído o enriquecimento adicional produzido entre 1988 e 2002, dos 10% dos mais ricos do planeta, deixando intactas suas exorbitantes fortunas. Mas nem sequer algo tão elementar como isso é aceitável para as classes dominantes do capitalismo mundial.

Che e Fidel: uma amizade revolucionária

Dois homens especiais cuja contribuição à Humanidade ficará para sempre na História. Duas personalidades com pontos em comum e também com diferenças, mas que se completaram para constituir uma luz para os povos oprimidos do Caribe, da América Latina e de todo o mundo. Fidel Castro Ruz, cubano, nasceu em 1926, filho de Ángel Castro e Lina Ruz, ele um imigrante galego, pobre, que fez fortuna em Cuba, acumulando terras, madeira e gado. Fidel cursou direito na Universidade de Havana, onde começou sua intensa militância política, com uma visão profundamente anti-imperialista, evoluindo para o socialismo e o comunismo. Ernesto Guevara de La Serna, argentino, nasceu em 1928, filho de Ernesto Guevara Lynch e Célia de La Serna, um casal de classe média alta, embora em crise financeira, e progressista. Ernesto (Teté, Chancho) não participou ativamente do movimento estudantil, desde cedo estudou a filosofia marxista, mas não simpatizava com o Partido Comunista Argentino.


Dois caminhos se encontram

Fidel criou um Movimento Revolucionário, que se chamaria 26 de Julho, em memória à data do assalto ao Quartel Moncada para distribuir armas com o povo e incitá-lo a derrubar a ditadura de Fulgencio Batista; foi preso, solto e saiu para o México, onde iria se encontrar com outros companheiros exilados a fim de organizar uma expedição para desencadear uma guerra de guerrilhas contra a ditadura a partir da Sierra Maestra.

Ernesto Guevara buscava um caminho, tinha uma consciência profundamente anti-imperialista e socialista. Não se contentava com o conhecimento baseado na leitura. Queria ver, contatar os oprimidos de perto. Fez sua primeira viagem junto com Alberto Granado, por grande parte da América do Sul (ver filme Diários de Motocicleta). No retorno, disse “Não sou o mesmo de antes”. A segunda viagem foi de engajamento. Na procura de um movimento para lutar pela libertação dos oprimidos, chegou à Guatemala, onde o povo se mobilizava para defender o governo Árbenz (democrático e nacionalista) de uma invasão de reacionários apoiados pelos Estados Unidos (CIA).

Derrotada a revolução guatemalteca, Ernesto segue para o México, onde foi apresentado aos cubanos, em cuja missão se integrou e por eles foi rebatizado como “Che”, devido a Ernesto dirigir-se às pessoas como tchê (costume dos Pampas). Com eles, encontrou seu “norte”. Che ficou tão impressionado com Fidel, que escreveu um poema para ele: “Vamos, ardoroso profeta da madrugada/por caminhos longínquos e desconhecidos/liberar o grande caimão que você tanto ama/quando soar o primeiro tiro e na virginal surpresa toda a mata despertar/lá ao seu lado, serenos combatentes/você nos terá...”

Fidel também se impressionou com aquele argentino cheio de entusiasmo e fé, absolutamente decidido a dedicar sua vida ao povo, que considerava a luta em Cuba a primeira grande oportunidade de pôr em prática seu inquestionável objetivo. Aceitou-o como médico da expedição, mas, logo nos primeiros treinamentos militares, sua firmeza, sua capacidade de aprender as técnicas da guerrilha, sua capacidade de liderança e a magnética personalidade deixaram claro que ali se encontrava um guerrilheiro de primeira hora.

Companheiros de comando, amigos e confidentes

Já no Natal de 1956, após os primeiros meses de luta na Sierra, Che integrava o Estado-Maior do Exército Rebelde, depois foi nomeado Comandante da Segunda Coluna. No dia de sua nomeação por Fidel, Che escreveu no Diário: “Isso me fez sentir como o homem mais orgulhoso da Terra neste dia”. A partir daquele momento, ele era o Comandante Che Guevara.

A bravura e dedicação do Che tornaram-no um símbolo do guerrilheiro heroico, braço direito de Fidel e seu principal confidente. Mesmo quando suas colunas estavam distantes, constantemente trocavam bilhetes. Fidel falava para ele dos planos militares, debates políticos, assuntos financeiros, e relatava experiências com novas armas que iam inventando no decorrer da luta.

Em entrevista ao jornalista argentino Jorge Masetti, ainda na Sierra, Che disse: “Fidel me impressionou como um homem extraordinário. Ele enfrentou e superou as coisas mais impossíveis. Ele tinha uma fé excepcional de que, uma vez que partisse para Cuba, chegaria. Que uma vez que tivesse chegado, lutaria. E que, lutando, venceria. Eu compartilhei desse entusiasmo...”

Após a tomada do poder, em janeiro de 1959, Che assumiu diversas funções no governo, buscando pôr em prática sua ideia de construção do homem novo. Para ele, o socialismo só seria possível com o ser humano superando o individualismo e colocando a coletividade em primeiro plano. Para isso, dizia Che, incentivos materiais não servem e sim a emulação proporcionada pelo trabalho voluntário, no qual ele era o primeiro a dar exemplo. Uma vida simples. Uso de carro oficial apenas a serviço, recusa de levar a mulher em viagens ao exterior, em dar presente aos filhos que o homem do povo não pudesse dar também, e assim por diante. Che sempre recebeu o apoio e o incentivo de Fidel.

Che sempre teve claro que Cuba não seria seu porto final. Que era preciso continuar a luta pela libertação da humanidade. E que Cuba não poderia avançar sozinha na construção do socialismo, dependendo apenas do apoio da União Soviética, onde a política dos governantes já sinalizava um recuo, em vez de avançar para o comunismo.

De Che para Fidel

Mas Che compreendia a posição do governo cubano e de Fidel, só que não via sentido em permanecer mais em Cuba enquanto outros povos precisavam de sua “modesta” contribuição. A carta de despedida que fez para Fidel antes de partir para o Congo, de onde sairia para a Bolívia, é um testemunho emocionante da admiração e amizade que mantinha pelo Comandante Fidel:

“...Vivi dias magníficos ao seu lado, senti o orgulho de pertencer ao nosso povo nos dias brilhantes, embora tristes, da crise caribenha. Raramente um diplomata foi mais brilhante que você naqueles dias...Carrego para novas frentes de batalha a fé que você me ensinou, o espírito revolucionário do meu povo. Se minha hora final me encontrar debaixo de outros céus, meu pensamento será para o povo e especialmente para você...”

Bem, infelizmente, a hora final chegou debaixo dos céus da pátria-mãe latino-americana, mais precisamente da Bolívia, quando, ferido em combate em 8 de outubro de 1967, no dia seguinte, o eterno Che Guevara foi assassinado, fria e covardemente, por um esbirro do exército boliviano, assessorado pelos boinas-verdes dos EUA.

De Fidel para Che

Ao anunciar ao povo cubano a morte do Comandante Che Guevara, Fidel manifestou publicamente – e visivelmente emocionado – toda a admiração e amizade que também mantinha pelo herói, dizendo, entre outras palavras ardorosas:

“...Che possuía, como revolucionário, as virtudes que podem ser definidas como a mais cabal expressão das virtudes de um revolucionário: homem íntegro, homem de honradez suprema, de sinceridade absoluta, homem de vida estoica e espartana, homem em quem, praticamente, em sua conduta, não se encontra uma só mancha. Constituiu, por suas virtudes, o que se pode chamar de verdadeiro modelo de revolucionário. Um verdadeiro exemplo de virtudes revolucionárias! Mas, além disso, tinha outra qualidade, uma qualidade do coração, porque era um homem extraordinariamente humano, extraordinariamente sensível! Homem de ação, mas também homem de pensamento, homem de imaculadas virtudes revolucionárias e de extraordinária sensibilidade humana, unidas a um caráter de ferro, a uma vontade de aço, a uma tenacidade indomável.

Trabalhador infatigável, nos anos que esteve a serviço de nossa pátria não conheceu um só dia de descanso. Sua inteligência multifacetada era capaz de empreender, com o máximo de segurança, qualquer tarefa, de qualquer ordem, em qualquer sentido.

Nos dias regulamentares de descanso, empenhava-se no trabalho voluntário. Foi o inspirador e o máximo impulsionador desse trabalho que hoje é atividade de centenas de milhares de pessoas em todo o país, o impulsor dessa atividade que cada dia ganha mais força nas massas de nosso povo.

E como revolucionário, como revolucionário comunista, verdadeiramente comunista, tinha uma infinita fé nos valores morais, tinha uma infinita fé na consciência aos homens. E devemos dizer que, em sua concepção, viu com absoluta clareza nos recursos morais a alavanca fundamental da construção do comunismo na sociedade humana.

Em uma palavra, deixou-nos seu exemplo! E o exemplo de Che deve ser um modelo para nosso povo, o exemplo de Che deve ser o modelo ideal para nosso povo!

Se queremos expressar como aspiramos a que sejam nossos combatentes revolucionários, nossos militantes, nossos homens, devemos dizer sem vacilação de nenhuma índole: que sejam como Che! Se queremos expressar como aspiramos a que sejam os homens das futuras gerações, devemos dizer: que sejam como Che! Se queremos dizer como desejamos que nossos filhos sejam educados, devemos dizer sem vacilação: queremos que se eduquem no espírito de Che! Se queremos um modelo de homem, um modelo de homem que não pertence a este tempo, um modelo de homem que pertence ao futuro, de coração digo que esse modelo, sem uma só mancha em sua conduta, sem uma só mancha em suas atitudes, sem uma só mancha em sua atuação, esse modelo é Che! Se queremos expressar como desejamos que sejam nossos filhos, devemos dizer com todo o coração de veementes revolucionários: queremos que sejam como Che!”

José Levino, historiador


Che: un hombre nuevo.

Trailer do novo documentário sobre Che Guevara.

"Nas grandes lutas latino-americanas encontra-se homens de ação que deram tudo de si, inclusive sua própria vida, e encontra-se também grandes teóricos que escreveram e levaram a uma reflexão mais profunda das idéias libertárias. Mas no Che confluíram as duas coisas: era um homem que enquanto estava no meio de um combate estava escrevendo, e que enquanto estava tomando uma decisão central para sua subsistência, estava fazendo uma crítica ao manual de economia marxista que chegava da URSS."

Tristán Bauer, diretor

Política sexual - Igreja e conservadorismo

Trecho de um decreto nazista em relação à educação da juventude:

"A educação da juventude para apreciar o valor do Estado e da comunidade recebe a sua força interior das verdades do cristianismo... A fidelidade e a responsabilidade para com o povo e a prática tem as suas raízes mais profundas na fé cristã. Por este motivo, será sempre meu especial dever assegurar o direito e a livre propagação da escola cristã e os fundamentos cristãos de toda educação."


De forma não consciente o nazismo soube se utilizar dos mecanismos de repressão da igreja, principalmente na questão sexual, pois a igreja tradicional é uma formadora de pessoas conservadoras e reacionárias.

A repressão sexual cristã tem influência direta na forma de organização familiar e, consequentemente, na orientação política dos fiéis.

Para mais, consulte "Psicologia de massas do fascismo", de Wilhelm Reich

Esclarecimento sobre o suposto "golpe" no Equador

Abaixo a nota do Partido Comunista Marxista-Leninista do Equador sobre a suposta tentativa de golpe no governo de Rafael Correa.


PARTIDO COMUNISTA MARXISTA LENINISTA DEL ECUADOR
Comité Central

EL PCMLE FRENTE A LOS ACONTECIMIENTOS DEL 30 DE SEPTIEMBRE

El Ecuador viene siendo el escenario desde hace algunos meses, de la intensificación y ampliación de las luchas sociales, que diversos sectores del pueblo trabajador, los sindicalistas, indígenas, campesinos, maestros, la juventud estudiantil, servidores públicos, pequeños comerciantes, jubilados, vienen desarrollando, para oponerse a las políticas del gobierno de Rafael Correa que lesionan en los hechos los intereses del país, de los pueblos y de sus organizaciones, refuerzan o consagran las políticas neoliberales, privatizadoras y entreguistas.

Los trabajadores han levantado sus acciones en defensa de los derechos sindicales que han querido ser anulados por parte del gobierno; los pueblos indígenas combatieron en todo el país en defensa del agua como un recurso humano vital; las comunidades campesinas e indígenas oponiéndose a la naturaleza entreguista y depredadora de la Ley de Minería; los maestros exigiendo mejores garantías para la educación nacional, opuestos a unas evaluaciones retaliatorias y excluyentes; los estudiantes y todas las universidades del país, contra una Ley de Educación Superior que elimina la autonomía universitaria, el cogobierno estudiantil, el libre ingreso, otras conquistas y derechos; los servidores públicos se han movilizado defendiendo su estabilidad, sus conquistas alcanzadas tras largas luchas; los jubilados para mejorar sus pensiones y su atención por parte del Seguro Social; los pequeños comerciantes han estado en las calles por una Ley que garantice su derecho al trabajo, la seguridad social y otras conquistas.

Estas movilizaciones y protestas también han denunciado la posición del régimen para favorecer a los monopolios imperialistas petroleros, mineros, de telecomunicaciones; de favorecer el endeudamiento externo, en condiciones desventajosas; de involucrar al país en el Plan Colombia y de impulsar una política lesiva a la soberanía nacional en la suscripción de la Convención de los Derechos del Mar (CONVEMAR).

El Presidente Correa ha respondido a estas acciones de lucha y las denuncias de las organizaciones sociales, con una política represiva que va dejando víctimas fatales, heridos y grandes daños materiales como en los casos del ataque a la población de Dayuma, a los mineros del Azuay, el asesinato del profesor shuar Bosco Wisuma, el desalojo violento a los mineros de Zamora y otros hechos. Dirigentes de organizaciones obreras, indígenas, campesinas, estudiantiles, de maestros, han sido detenidos, enjuiciados y perseguidos; son objeto de abominables ataques y calumnias a través de una sonora y atiborrante campaña de los grandes medios que el gobierno controla, acusándolos de “mediocres”, “terroristas”, “corruptos”, etc.

En el marco de esta situación, el día 30 de septiembre se produce en distintos lugares del país, la rebelión de las tropas policiales, la toma de los cuarteles, su salida a las calles, en respuesta a la aprobación que se diera en la Asamblea Legislativa a la Ley de Servicio Público y al veto presidencial, que significa arrebatarle a este sector una serie de beneficios, conquistas, subsidios, que los habían logrado en el transcurso de varios años.

Las tropas amotinadas denuncian estos hechos, exigen incluso el cambio de la cúpula de la institución, pero en ningún momento se pronuncian por un cambio de gobierno, por su derrocamiento y más bien solicitan el diálogo, el cese de las actitudes autoritarias y que se atienda su situación. En estas condiciones, esa lucha de las tropas policiales, se añade a la de otros sectores populares en defensa de sus aspiraciones, de sus derechos y conquistas.

Los revolucionarios, la izquierda, los comunistas, asumimos como un deber el apoyo a esta y todas las luchas que defiendan los intereses populares y del país. Consideramos que es una falacia acusar de que estas acciones formen parte de una “conspiración” en contra de la democracia, del gobierno constituido y que sea parte de un intento de “golpe de Estado” de los “fascistas”, de la “derecha”, con la “participación de la izquierda”, sin que se demuestre para nada estas implicaciones.

La insistente denuncia del régimen sobre el supuesto “golpe de Estado contra la democracia ecuatoriana” trajo inmediatamente los respaldos del gobierno norteamericano y de la ONU; pero a la vez generó también, los pronunciamientos de la UNASUR, de los gobiernos de la región como Venezuela, Bolivia, Argentina, Paraguay, y también de Colombia, Chile y Perú.

Corresponde señalar que la mayoría de organizaciones sociales que han reivindicado sus aspiraciones, han deslindado campos y denunciado las reales o supuestas acciones de conspiración de la derecha, de la partidocracia, de las oligarquías y el imperialismo. De esta manera se pronunciaron CONAIE, ECUARRUNARI, las Centrales Sindicales, el Frente Popular y todas sus organizaciones, de modo que las acusaciones de conspiración caen por su propio peso.

El mismo Jefe del Comando Conjunto de las Fuerzas Armadas, General Ernesto González, respaldó el orden constitucional, insistió en el pedido para la revisión o anulación de la Ley de Servicio Público, causante de los conflictos, al comparecer en la cadena indefinida y obligatoria, ordenada por el gobierno a todos los medios de comunicación del país; igual fue la petición de todos los voceros de los policías insubordinados, mientras los canales y medios pudieron recoger esos pronunciamientos para que se atiendan sus necesidades. La famosa “conspiración contra la democracia” que el gobierno y sus servidores denuncian, no aparece por ninguna parte…

Los acontecimientos eran graves y generalizados, pero se desbordaron, cuando haciendo gala de prepotencia, en abierta actitud imprudente, Correa fue a enfrentarse con los rebeldes y recibió el rechazo, incluso los irascibles excesos, de quienes se hallaban en el Regimiento Quito; quedó asilado en el Hospital de la Policía desde donde en horas de la noche fue sacado en medio de un sorprendente y desproporcionado operativo militar que fuera difundido por radio y TV a todo el país, poniendo en grave riesgo la vida del propio mandatario, provocando varias víctimas fatales de dicha acción, decenas de heridos, graves daños a las instalaciones de esa casa de salud.

Luego de su espectacular salida, Correa llega en medio de aplausos y vítores de sus partidarios a la Plaza Grande, para repetir las poses autoritarias, prepotentes y conminatorias; acusar sin pruebas, deformar la verdad y llama a la “vindicta pública”, que “no habrá perdón ni olvido” frente a los conspiradores, etc.

Los revolucionarios, los comunistas, los trabajadores y los pueblos, tenemos claro que la democracia es una conquista de las masas a lo largo de centenas de años y por eso la defendemos a pesar de sus limitaciones y exclusiones. La democracia representativa es una expresión del poder de las clases dominantes, resguarda sus intereses; para la gran mayoría, para las clases trabajadoras, sigue siendo una retórica en cuyo nombre se los excluye y atropella. Teniendo claro estos conceptos, la lucha social, las acciones de los trabajadores y los pueblos, la propia rebelión de la tropa de la policía, no se propuso ni plantea quebrar la vida institucional del país y menos es resultado de los afanes conspirativos y golpistas de la derecha, la partidocracia y el imperialismo. El camino de los trabajadores y los pueblos, de la izquierda revolucionaria está claramente definido, es la marcha independiente en busca de su liberación definitiva y cotidianamente en la lucha por sus derechos, aspiraciones, conquistas sociales y democráticas.

Es necesario afirmar, sin embargo, que la prédica gubernamental de que se producía un “golpe de Estado”, tuvo éxito y confundió a un sector de la opinión pública del país y del exterior. En el ámbito popular las cosas están claras. Los acontecimientos de ayer son un nuevo episodio de la lucha social.

Más allá de las actitudes vengativas, retaliatorias y de las sanciones que aplique el régimen, ello deja profundas heridas en las tropas policiales y en varios sectores sociales; el gobierno de la “revolución ciudadana” que ahora canta victoria, debe saber que la lucha de los trabajadores, la juventud y los pueblos continúa; porque seguimos en crisis, sigue la injusticia, las desigualdades sociales aumentan, se desborda y no se sancionan los actos de corrupción. La efervescencia, la lucha social y la aspiración del verdadero cambio se va constituyendo en una bandera de cada vez mayores y más grandes sectores de nuestros pueblos. Crece la conciencia popular!

Exijamos la anulación de los vetos presidenciales y de los elementos antipopulares y antinacionales que contienen las leyes conexas como las reformas a la Ley de Hidrocarburos, la Ley de Ordenamiento Territorial, de Servicio Público, Educación Superior, el Código de las Finanzas Públicas y otras que perjudican a los trabajadores, la juventud y los pueblos. Del mismo modo, por la derogatoria inmediata del “estado de excepción”, pues desde el gobierno se señala que no hay ninguna conmoción interna.

Hoy es la hora de trabajar más insistentemente por la unidad de todos los sectores que defendemos nuestras justas aspiraciones, conquistas sociales y derechos; por quienes luchamos un futuro mejor. En esto reside, sin duda, la fortaleza de los pueblos, en ello está la garantía de la victoria!!


PARTIDO COMUNISTA MARXISTA LENINISTA DEL ECUADOR
Comité Central
1º. de septiembre de 2010

Venezuela: resultado eleitoral encorajador

A eleição parlamentar de ontem (dia 26) na Venezuela confirmou que o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) e seus aliados, os comunistas, que apoiam o presidente Hugo Chávez, são a principal força política do país. Embora não tenham conseguido a maioria qualificada de 110 entre os 165 lugares da Assembléia Nacional, lograram contudo uma folgada maioria de deputados para apoiar as profundas mudanças que Chávez vem promovendo na Venezuela. Os partidários de Chávez perdem, contudo, a maioria automática de dois terços dos votos, necessária para realizar mudanças constitucionais - os cálculos divulgados hoje (dia 27) asseguram que terão de 58% a 60% de cadeiras, isto é, entre 95 a 99 deputados.

Mesmo assim, é um resultado encorajador. Seu alcance vai além dos votos alcançados nas urnas, como destacou o vice-presidente da Venezuela, Elias Jaua, em uma entrevista concedida depois da divulgação dos primeiros dados oficiais. Em primeiro lugar, disse que o resultado garante a estabilidade política e institucional do país e do próprio presidente Hugo Chávez. "A revolução conta com uma maioria folgada na Assembléia Nacional, e isso permitirá ao comandante Chávez seguir governando, restituindo o poder ao povo e construindo o caminho para o socialismo".

Jaua chamou a atenção para o fato de que, com o número de deputados que elegeu, a oposição não terá chance de reverter as mudanças já ocorridas no país, que favorecem o povo, nem ativar mecanismos desestabilizadores como revogar poderes públicos ou processar o Presidente da República. Além disso, argumentou, a participação oposicionista na eleição indica que ela aceita as condições democráticas impostas pelo povo, e com isso aumenta a legitimidade do processo revolucionário que ocorre no país.

Nesta eleição, a oposição retorna ao parlamento venezuelano. Na última eleição, em 2005, os antagonistas de Chávez alegaram fraude (que, evidentemente, não ocorreu) e boicotaram a disputa retirando-se dela no dia anterior ao da votação. Resultado: O boicote reacionário e antidemocrático voltou-se contra eles, que ficaram fora do parlamento na legislatura que se encerra, que foi amplamente hegemonizada pelos partidários do processo bolivariano. Na eleição de ontem, a oposição voltou, atitude que muitos intérpretes do oficialismo venezuelano comemoram como um fortalecimento do processo democrático.

Embora tenham alcançado uma bancada suficiente para impedir o avanço mais rápido do processo revolucionário, eles elegeram um número menor do que haviam alcançado na última eleição da qual participaram, a de 2000. Hoje, estima-se que tenham eleito 60 parlamentares, 20 a menos do que haviam eleito há dez anos atrás. É um recuo significativo, de um em cada quatro mandatários que já tiveram.

A normalidade democrática foi demonstrada também pelo comparecimento dos eleitores. Apesar da chuva, mais de 66% dos 17,6 milhões que estavam em condições de votar compareceram, apesar do voto não ser obrigatório na Venezuela. É um percentual alto para as eleições venezuelanas, e demonstra o alto grau de engajamento político da população, que escolheu garantir nas urnas as conquistas alcançadas desde a ascensão de Chávez à Presidência, em 1998.

O jornal Tribuna Popular, do Partido Comunista da Venezuela, comemorou o resultado. "O povo venezuelano conseguiu uma vitória popular no caminho para consolidar o Poder Popular", registrou. É de fato uma vitória importante, que indica a disposição de avançar no rumo que se descortina para o país desde 1998. Mas mostra também que esse é um caminho árduo, de luta intensa. E que antecipa, de certa forma, a próxima etapa na construção de uma Venezuela democrática e avançada, a eleição presidencial de 2012.



Serra e sua classe média

No horário eleitoral e nas entrevistas do candidato Serra percebe-se algo muito interessante sobre a psicologia de massas do seu eleitorado. Isso pelo menos me saltou às vistas por se relacionar com o conteúdo do livro que estou lendo no momento: "Psicologia de massas do fascismo", de Wilhelm Reich.

O candidato da direita tem enfatizado, após apresentar propostas absurdas ou ao ser questionado por repórteres sobre como pretende implementar essas mesmas propostas, que ele já foi "economista", que "sabe fazer conta", que já foi isso, já foi aquilo outro e que, portanto, "sabe como fazer".


São propostas meramente eleitoreiras, como aumentar o salário mínimo para R$600,00, por exemplo, sem dizer de onde tiraria o dinheiro necessário.

Mas não foi uma, duas ou três vezes que ele falou isso. Ele tem repetido isso constantemente, tem apontado a si mesmo como "capaz" de resolver o que ele não explica a ninguém como faria.

Isso me chamou a atenção para o tipo de relação que Serra mantém com seu eleitorado: uma relação de confiança.

Se perguntarmos aos seus eleitores algo sobre essas propostas, eles só podem responder que "Serra sabe o que faz", pois nem o próprio Serra explica quando perguntado. Ou seja, eles tem que "confiar" no Serra.

É unicamente devido à estrutura de caráter da classe média que este discurso encontra eco na base do seu eleitorado. É o mesmo que acontecia com a classe média que formava a base de massas do movimento nazista de Hitler, que pregava mil contradições em seu programa de governo mas que ainda assim tinha a "confiança" da sua base.

Esta estrutura se caracteriza por uma dependência de uma figura de autoridade projetada a partir da imagem do pai, que para a criança tem solução para tudo. Ela é produto principalmente da estrutura familiar da classe média.

Esta análise da classe média feita pelo psicanalista marxista Wilhelm Reich se mantém extremamente atual pelo que podemos verificar tanto no comportamento da classe média brasileira (clique aqui para ver um ótimo site sobre isso), como nesta característica da relação do eleitorado serrista com o seu candidato.

Ora, é óbvio que essa ligação entre essa massa e o seu líder é emocional, inconsciente, e a psicologia de massas desnuda de forma extraordinária o mecanismo deste processo.

Todo voto, em qualquer candidato, é sempre expressão de confiança, claro. Mas há uma nítida diferença entre um voto razoável, pensado, analisado, e um voto em propostas que não encontram o menor fundamento na realidade. Um voto que se baseia tão somente na promessa do candidato de que ele "vai dar um jeito" pois sabe fazer contas. Como se a matemática não fosse exata. Ou como se o povo fosse muito burro para não compreender os cálculos que ele disse que fez antes de formular suas propostas.

Mas a classe média, iludida, pequeno-burguesa aspirante à "classe de cima", confia cega e emocionalmente no seu candidato, já que o "horror" do proletariado vai votar "naquela que não se nomeia". A classe média é sempre a classe média. A classe das maiores contradições do capitalismo.


Sérgio Miranda - 1212

Vote Sérgio Miranda - 1212 - para deputado federal em MG. Clique na imagem para ampliar.


Veja suas propostas, veja seu histórico e vote Sérgio Miranda - 1212 - para deputado federal.



É possível derrotar a pobreza sob o capitalismo?

As pessoas mais realistas acompanharam o estabelecimento pela Organização das Nações Unidas, em 2000, das chamadas Metas do Milênio, para combater a pobreza e a fome no mundo até 2015, com uma pergunta: este é um objetivo viável sob o domínio do sistema capitalista?

A cúpula sobre os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio iniciada ontem (20) na sede da ONU, em Nova York, com a presença de representantes de 140 países, é parte da resposta àquela pergunta. Faltam cinco anos para o cumprimento daquele prazo; neste período o mundo assistiu ao auge da hegemonia neoliberal e também ao início de sua derrocada com a grave crise econômica que, com epicentro nos EUA, varreu o mundo e arrasou algumas economias, principalmente as mais ricas e desenvolvidas.

É nesse contexto que o secretário geral da ONU, Ban Ki Moon apresentou um balanço sóbrio, para dizer o mínimo, do cumprimento daquelas metas. Ressaltando que parte do compromisso está sendo cumprido (a luta contra a pobreza) ele lamentou a dificuldade para alcançar os demais (acesso à educação, igualdade de gêneros, a melhoria dos serviços básicos de saúde, luta contra doenças como a Aids e a malária, elevação da qualidade de vida e o respeito ao meio ambiente). Investindo contra a falta de empenho dos países ricos, afirmou que será necessário um financiamento que ultrapassa 100 bilhões de dólares para que as metas sejam cumpridas no prazo.

Mas não vai dar - é o que se depreende da posição de governantes como a alemã Angela Merkel, que foi clara em seu discurso: as metas não serão atingidas, disse ela. O problema, afirmou, não é o dinheiro, mas o que fazer com ele. Enquanto o primeiro ministro da Noruega, Jens Stoltenberg, repetia as palavras de sua colega alemã, o representante do governo dos EUA dizia que o presidente Obama não deve fazer doações para completar o volume de recursos necessários.

No outro extremo, Evo Morales, presidente de um dos países mais pobres do planeta, a Bolívia, foi ao ponto: o fim da pobreza só é possível com a mudança do sistema político e econômico. “Se não mudam as condições nunca poderemos superar a pobreza”, disse, criticando a voracidade dos países ricos em se apropriar dos recursos naturais dos países em desenvolvimento e exigindo o cumprimento do compromisso daqueles países destinarem 0,7% do PIB para implementar aquelas metas. “Não se trata de dar um presente, mas isto é parte da dívida que têm” com os demais países, disse.

O estabelecimento de metas tão ambiciosas quanto aquelas adotadas há uma década ajuda a entender a dinâmica do sistema hegemônico no mundo, o capitalismo, suas limitações e também as ilusões daqueles que as formulam.

O capitalismo é hegemônico há uns três séculos; há cem anos, o imperialismo emergiu e passou a conduzir a expansão planetária desse sistema; há dez anos, o neoliberalismo, carranca mais selvagem e agressiva do domínio do dinheiro, parecia imbatível. Esse desenvolvimento deixou um rastro de pilhagem dos povos, miséria crescente e desorganização da vida em quase todo o planeta. O domínio capitalista aprofundou as desigualdades e a miséria no mundo, sendo a causa e o fator do aumento da pobreza; hoje, em cada grupo de seis seres humanos, um passa fome (925 milhões, segundo a ONU) justamente porque a expansão da produção voltada para o mercado e para a remuneração do capital destruiu suas formas tradicionais de vida. Este é o papel histórico do capitalismo - superar formas rotineiras de produzir e aumentar a produtividade. Mas o passo seguinte só será possível com sua superação e o início de uma nova forma, superior, de organização da vida, da produção e da distribuição da riqueza.

Entretanto, esse patamar civilizatório mais avançado da humanidade não será alcançado nos salões badalados de cidades como Nova York, mas no duro combate dos povos e dos trabalhadores por seus direitos, em busca de uma nova ordem econômica e política que derrote o sistema imperialista e assegure as condições para uma vida digna para todos.

Capitalismo verde é sujeira: Marina e Gabeira

Agora todo mundo capitalista deu para ser verde.

A General Eletric prega a "ecoimaginação", ou este oxímoro insano: "carvão limpo". Na propaganda ela põe um elefantão cantando "Singing in the rain".

O barão da mídia, Murdoch, que está louquinho para derrubar Chávez, declarou: "sinto orgulho de ser verde".

É impossível existir capitalismo sem toxina.

A mistificação do capitalismo verde é reproduzida por aqui com Gabeira e Marina. Como é que alguém a favor do lucro capitalista evangélico pode falar em natureza? A única coisa verdecoevangélica que existe é a nota verde do dólar.

Marina é pró-capitalismo, portanto é antiecológica. Seus assessores almofadinhas e janotas são udenistas e tucanos de corpo e finanças, portanto contra a minhoca, o arado natural, Eles são entusiastas da Monsanto que inventou o herbicida round up devastador da natureza e que financia a biotecnologia e a engenharia genética.

Marina, me dizia Marcelo Guimarães, não moveu uma palha pelo projeto das micro-destilarias a álcool em pequenas propriedades; agora ela se diz devota do álcool e óleos vegetais, só que produzidos em economia de escala com plantation latifundiária para exportação multinacional.

Marina é adversária da reforma agrária radical, portanto joga no time do ecocídio, Serra batalhou pela aprovação da lei das patentes para felicidade das grandes corporações multinacionais na Câmara e Senado.

A agricultura capitalista multinacional arruína a terra e envenena as pessoas. Tudo isso sob o comando dos grãos geneticamente manipulados pela Monsanto, que é a Rede Globo da agricultura.

A juventude não poderá cair na esparrela agrobiocancerigenotucano. O descalabro da natureza é causado pelo regime social chamado capitalismo, por conseguinte crítica ecológica que não seja anticapitalista é conversa de urubu com bode.

E Gabeira? É a ideologia pós-moderna do Banco Mundial em ação, que no Rio de Janeiro é a expressão da burguesia comercial e imobiliária, de onde provêm Carlos Lacerda e César Maia.

Nunca entendi a notoriedade de Gabeira. Chegou da Suécia de tanguinha de crochê na praia pousando de "candidato jovem" pré-Collor para destruir os CIEPs de Darcy Ribeiro.

Glauber Rocha tinha a maior bronca dele porque queria tacar fogo no filme Terra em Transe. Glauber dizia que a ambição de Gabeira era freqüentar a casa de Caetano Veloso, que convenhamos não é o barraco de Goethe.

Glauber escreveu: "traíram Jango em 1964 e 1974, destruíram o projeto de nação que ficou no esqueleto do Gabeira".

Sobre as flores do estilo, pergunto quem foi o gênio linguista que bolou o mote gerundiano da campanha de Dilma? Refiro-me à palavra de ordem: "Para o Brasil seguir mudando". Que coisa feia. É isso que dá colocar campanha política em agência de publicidade.

Gilberto Felisberto Vasconcellos é sociólogo, jornalista e escritor.

Fonte: Caros Amigos

Fidel Castro e o "modelo cubano"


Nos últimos dias a mídia a serviço do império, especializada em manipular e descontextualizar a verdade, tem feito de forma mal-intencionada um grande estardalhaço sobre uma suposta declaração de Fidel ao jornalista Jeffrey Goldberg de que "o modelo cubano não funciona nem mesmo para nós". Essa declaração seria uma resposta à pergunta de Goldberg sobre se Fidel tinha a intenção de "exportar o modelo cubano" a outros países. Uma pergunta que já demonstra uma completa incompreensão das mais básicas premissas do marxismo-leninismo, já que uma revolução não é algo que se "exporta".

Mas em primeiro lugar devemos ter cuidado antes de tomar tanto a declaração como sua interpretação como o que realmente foi dito por Fidel: o relato de Goldberg não é um transcrição da conversa, de forma que possamos contextualizá-la para saber de fato o que Fidel quis dizer.

Em segundo lugar, Fidel sempre foi muito crítico sobre tudo em Cuba. Ele nunca prometeu um paraíso aos cubanos, pois os comunistas não prometem nenhum paraíso a ninguém - quem faz isso são os padres, não os comunistas.

Seria de se espantar se Fidel tivesse dito, ao contrário, que ele queria sim exportar o "modelo cubano" a outros países, ao invés de dizer que o "modelo cubano" não funciona nem mesmo para eles.

Cuba tem vários problemas, mas não porque é socialista, mas porque é um país pobre, como todos os países da América Latina. Além disso, está debaixo de um bloqueio econômico dos EUA que torna tudo mais difícil para eles.

Uma das mais básicas premissas do marxismo-leninismo é que a revolução de um país não pode ser "exportada" para outro. Cada país tem suas particularidades, seu nível de desenvolvimento, etc. Revoluções nunca são iguais.

Outra básica premissa é que a realidade é dialética, está em constante mudança. Cuba não é a mesma de 50 anos atrás. Fidel Castro estaria apenas sendo um marxista ortodoxo se admitisse que o modelo cubano de 50 anos atrás deveria sofrer alterações hoje.

Isso não significaria o fim do socialismo, mas apenas as mudanças que uma realidade dialética exige.

Sobre aqueles que criticam o "modelo cubano", o blogueiro Yohandry, cidadão cubano, faz algumas perguntas sobre o "modelo" capitalista:

1) Por que aqueles que alimentam as campanhas de descrédito contra a revolução cubana guardam silêncio sobre o modelo econômico capitalista que está prestes a extinguir a humanidade?

2) Por que não se tem consciência sobre o irracional "modelo" que consome bilhões de dólares em publicidade quando mais de 900 milhões de seres humanos não sabem ler nem escrever?

3) Por que não falar de um mundo que abriga em suas entranhas milhares de ogivas nucleares capazes de extinguir em um segundo a vida no planeta?

4) Por que não dão a devida cobertura midiática ao alerta de Fidel sobre os perigos que se aproximam sobre uma civilização que não terá tempo para refletir, sobre nenhum tipo de modelo, em caso de um desastre de guerra?

E podemos acrescentar:

5) Por que no "modelo" capitalista há mais de 1 bilhão de pessoas passando fome no mundo hoje?

6) Por que o "modelo" capitalista nos trouxe 2 guerras mundiais, além de várias outras que ceifaram a vida de milhões de pessoas?

7) Por que no "modelo" capitalista 2 bilhões de pessoas não tem acesso a medicamentos?

8) Por que no "modelo" capitalista 2,5 bilhões não tem acesso a saneamento básico e esgoto?

9) Por que no "modelo" capitalista há 924 milhões de pessoas sem teto ou que vivem em moradias precárias?

10) Por que no "modelo" capitalista 218 milhões de crianças trabalham em condições de escravidão ou em tarefas perigosas ou humilhantes como soldados, prostitutas, serventes na agricultura, na construção civil ou na indústria têxtil?

E além disso, já que o "modelo cubano" está novamente em discussão, vale lembrar as justas palavras de Rafael Correa, presidente do Equador, sobre o assunto em 2009:

"Avaliar o modelo cubano fazendo abstração de mais de 40 anos de bloqueio econômico e comercial dos EUA é tão hipócrita, tão cínico como querer investigar a morte de uma pessoa afogada encontrada no fundo de uma piscina com os pés metidos em um balde de cimento e chegar à brilhante conclusão de que se afogou porque não sabia nadar.

"Cuba tem resistido por 50 anos ao bloqueio dos EUA. Asseguro que nenhum país da América Latina resistiria por 5 meses.

"E com a capacidade, os recursos humanos que tem e sua coesão social, asseguro que quando se levantar este absurdo bloqueio uma enorme prosperidade irá disparar em Cuba. Eles tem imensos problemas, não há dúvidas, pois todos os vemos, mas também conseguiram muitos sucessos."


Política x Administração

Assim como o rei Midas transformava em ouro tudo o que tocava, o capitalismo transforma em mercadoria tudo aquilo em que põe as patas. E quando não transforma exatamente em mercadoria, transforma em algo relacionado à produção de mercadorias.

Na política isso não poderia ser diferente, claro. E isso se nota inequivocadamente agora quando ouvimos nos debates eleitorais sobre quem é o candidato "mais preparado".

Isso é um tremendo engodo, uma tremenda enganação. Os capitalistas pretendem reduzir política a administração, o que é um erro. A política engloba a administração, mas não se reduz a isso.

Da mesma maneira que o sucesso das ciências naturais no século XIII influenciava as ciências humanas a seguirem os seus métodos, o capitalismo tem induzido a se pensar na administração de um país como na administração de uma grande empresa, e aí o melhor administrador seria o melhor presidente.

Não irá demorar muito para que apareça alguém com a proposta de que o cargo de presidente seja preenchido por concurso público.

A orientação política de um país é algo que não se enquadra dentro da mera administração. Um presidente, além do mais, não governa sozinho. Ele tem toda uma equipe consigo para tratar dos setores estratégicos do país. É importante que esses ministros sejam técnicos competentes, bons administradores, assim como seus deputados e senadores. Mas que também sua orientação política seja a mesma do presidente.

Tirar o foco do debate da orientação política para o preparo administrativo é fugir do principal. É talvez medo de que a orientação política de alguns candidatos não encontrem eco na sociedade.

Thatcher bloqueou ajuda soviética a grevistas britânicos

Arquivos recentemente abertos na Inglaterra revelam o que realmente aconteceu com a ajuda de trabalhadores mineiros soviéticos aos grevistas mineiros ingleses, na greve de 1984-1985. O dinheiro nunca chegou ao seu destino.

Margaret Thatcher, a dama-de-ferro inglesa, foi a articuladora do bloqueio para que a ajuda dos soviéticos não chegasse aos trabalhadores britânicos.

Depois de 6 meses de greve, o governo inglês interviu na União Nacional dos Mineiros e bloqueou suas contas, cortando assim todas as reservas de que dispunham os trabalhadores. A greve só poderia continuar com ajuda externa.

Os trabalhadores soviéticos, solidários e internacionalistas, tiraram dinheiro de seus próprios bolsos para enviar para os mineiros ingleses (mais de 1 milhão de dólares).

O governo inglês começou a dizer que "via com certa preocupação a transferência de dinheiro de sindicatos soviéticos para a União Nacional dos Mineiros".

O embaixador soviético, porém, dizia que os sindicatos soviéticos eram "independentes e democráticos", e que o governo não poderia intervir, além de não ser responsável pelo "exercício dos seus direitos".

O governo soviético de fato estava sabendo da doação, que foi autorizada através de um documento assinado pelo próprio Gorbachev. E além disso, para fazer a conversão de rublos para moeda estrangeira, também era necessário a autorização do governo.

Mas no final das contas a ofensiva diplomática de Thatcher parece ter funcionado: apesar do governo soviético ter informado que "qualquer forma de ajuda que possa ser dada aos mineiros britânicos seria realizada de forma independente pelos mineiros soviéticos sem a mínima participação do governo soviético", o fato é que essa ajuda nunca chegou aos trabalhadores grevistas.

Segundo o jornal "The Guardian", esse bloqueio teve a conivência de Gorbachev, que preferiu sacrificar os trabalhadores britânicos para manter uma boa relação com a Inglaterra.

Notícia publicada pelo jornal inglês The Guardian.