O Capitalismo, imparável, agoniza

Decorridos três anos após o eclodir da crise estrutural do sistema capitalista global, depois de inúmeras reuniões e conferências dos principais próceres do capitalismo, reunidos em diferentes figurinos - G-5, G-8, G-20, Comissão Europeia, Foruns e Mettings de geometria variável, cimeiras de todos os tipos e participantes, etc - tudo eles têm realizado, tudo têm encenado, utilizando todas as teses e estratagemas, com o propósito central e constante de persuadirem os povos com a falsa imagem de si próprios que tudo seriam capazes de solucionar e resolver e que possuiriam o controle e domínio dos acontecimentos. Mas a realidade, com a força dos factos, resiste às mistificações que sobre ela tecem e desmente-os, todas os meses, todas as semanas, todos os dias.

Três anos depois, a crise aprofundou-se, ganhou novos contornos auto-destrutivos, liquidou panaceias e tímidas tentativas de a controlar e investe com toda a brutalidade contra os trabalhadores e os povos, em todos os continentes. Traço novo da actualidade da crise sistémica do capitalismo é o facto de estar hoje a fustigar não já só os países periféricos e menos desenvolvidos mas os que constituem o centro nevrálgico e mais desenvolvido do capital globalizado: os EUA, a U.Europeia, o Japão, irradiando já os seus efeitos letais sobre os "milagrosos" países de reserva estratégica, os chamados "BRICS", até há pouco considerados como possíveis novas "locomotivas" desenvolvimentistas que iriam assegurar, nesta situação de regressão económica do centro, a reprodução do capital.

Se nos planos económico e financeiro/cambial as notícias são aterradoras para os defensores do capitalismo, a esse quadro objectivo soma-se nestes últimos meses e semanas um outro elemento de caracterização da actualidade muito importante: por todo o mundo, praticamente, eclodem revoltas populares, insurreições, movimentos de contestação do sistema capitalista, novas manifestações de protestos e insubmissões populares, tudo configurando um quadro de resistência e de contestação ao "status quo" dificilmente imaginável há pouco tempo atrás para os analistas e comentadores que, ao serviço dos governos e poderes de turno, desempenham o sujo papel da manipulação ideológica da realidade. Primeiro as revoltas e insurreições populares nos países árabes, depois as grandes manifestações e ocupações insurgentes de ruas e praças em numerosas capitais "ocidentais", a par de vigorosas lutas travadas por diversos movimentos operários nacionais, defrontando as forças repressivas e impondo-lhes grandes recuos e derrotas, com novas expressões da luta de classes, com contornos contestatários novos (são ex. os recentes levantamentos populares em estados norte-americanos) e com a vinda às ruas e à luta de populações que ainda há pouco se poderia pensar estarem "pacificadas", submetidas, recuadas (ex., as grandes manifestações em Telavive - 300.000! -, que ainda decorrem). Nas camadas juvenis, nas gerações mais jovens de assalariados precários e sem direitos, crescem as demonstrações de resistência e de maior disponibilidade para o combate social e para lutas de conteúdo político e de rejeição do sistema dominante.

O mundo muda vertiginosamente, num tempo histórico que parece acompanhar os fenómenos da relatividade descritos por Einstein, "encurtando" os espaços e os tempos. Vencendo as barreiras da desinformação e da intoxicação dos grandes "média" globalizantes, os trabalhadores e os povos sentem-se mais próximos, mais irmanados por uma comum e crescente repulsa pelo actual estado de coisas que ainda vigora no mundo capitalista e, vão unificando paulatinamente energias e vontades de mudança, fazendo crescer a confiança nas suas próprias forças, acreditando mais, a cada dia que passa, a cada luta travada, não importa em que canto distante do globo, que "sim, é possível", lutar e enfim conquistar novos avanços no combate por um mundo novo e melhor. A cada dia que passa, o poder dos banqueiros e dos monopólios perde apoios e antigos simpatizantes e ganha novos adversários, novos opositores.

O capitalismo, como sistema mundial, imparável na sua marcha destruidora e anti-humana, de facto agoniza, entrou definitivamente no seu último trajecto vital. Mergulhado em crise profunda e galopante, roído pelas suas próprias e insanáveis contradições,confrontando-se com a óbvia incapacidade de se auto-reformar, recorrendo de forma crescente à guerra imperialista e de extermínio de povos e países inteiros, defrontando uma resistência crescente das massas trabalhadoras e populares, o sistema capitalista já entrou no período final da sua etapa senil. Brutal, desumano, caminha aceleradamente para o seu fim, neste século XXI que sem dúvida testemunhará o seu afundamento e desaparecimento.

Se os dados da realidade contemporânea nos sustentam esta nova visão sobre um capitalismo agonizante, tal não significa que ele aceite o suicídio. Resistirá à morte que se avizinha, debater-se-á contra as suas próprias mazelas mortais, originará ainda incontáveis crimes e sacrifícios - humanos, sociais, ambientais, civilizacionais - mas desaparecerá nos anos ainda das vidas de muitos de nós. Entretanto, esse processo transformador não terá geração espontânea, não resultará de um gradual transição do velho para o novo, qual crisálida miraculosa. A destruição deste sistema explorador será tarefa dos explorados, dos povos em luta contra a sua etapa imperialista terminal. E isto deve constituir a prioridade central da existência e da actividade dos partidos operários e revolucionários.

Neste espaço já anteriormente se escreveu sobre as perplexidades e os atrasos que se evidenciaram na generalidade dos partidos que se afirmam operários e marxistas-leninistas, quando a maior e mais grave crise do capitalismo eclodiu há três anos atrás, apontando-se nessa altura algumas das possíveis razões para esses atrasos e incapacidades. Tais razões, hoje, pouco nos podem já ajudar a sustentar uma análise rigorosa da actualidade nesta segunda metade de 2011. E, sobretudo, é a realidade actual, na sua dialéctica, que nos "empurra" para uma nova avaliação e um novo rumo a darmos ao combate de classes. Em finais de 2008, foi doloroso e gerou estupefacção ouvir dirigentes comunistas aceitarem como necessário a injecção de grandes somas dos recursos públicos na banca, alegadamente justificada pela necessidade de garantir a liquidez dos bancos(!). Hoje, tais erros são absolutamente imperdoáveis. Não mais é possível justificar tais posições oportunistas com o carácter surpreendente e desconhecido da nova situação criada pelo capital. Estamos obrigados - sempre - a avaliarmos de forma séria e autocrítica os erros que cometemos, aprendendo com a experiência a não mais voltar a cometê-los.

Nesta nova realidade, em mutação histórica acelerada, os revolucionários têm o indeclinável dever, perante os trabalhadores e os povos, de erguer corajosamente a bandeira do Socialismo, apontando o caminho da insubmissão e da luta revolucionária à classe operária e a todos os explorados, mostrando e demonstrando-lhes que não existe qualquer outro caminho, não existem terceiras vias ou percursos alternativos, escapatórias. Para as forças revolucionárias esse caminho, único, sólido, consequente e coerente, será sem dúvida muito áspero, muito exigente. Ser-nos-ão necessários muita determinação, muita coragem política, muita moral revolucionária para o percorrer sem hesitações ou tibiezas acomodatícias. Mas, em alternativa, trair este caminho equivalerá a cair no pântano do oportunismo, da conciliação de classes, da traição aos interesses e tarefa histórica do proletariado, tornando os partidos operários em partes integrantes do sistema de opressão e exploração dos trabalhadores e dos povos.

"Pequeno grupo compacto, seguimos por uma estrada escarpada e difícil, segurando-nos fortemente pela mão. De todos os lados, estamos cercados de inimigos, e é preciso marchar quase constantemente debaixo de fogo. Estamos unidos por uma decisão livremente tomada, precisamente a fim de combater o inimigo e não cair no pântano ao lado, cujos habitantes desde o início nos culpam de termos formado um grupo à parte, e preferido o caminho da luta ao caminho da conciliação." (Lénine - "Que Fazer?")


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