Serra e sua classe média

No horário eleitoral e nas entrevistas do candidato Serra percebe-se algo muito interessante sobre a psicologia de massas do seu eleitorado. Isso pelo menos me saltou às vistas por se relacionar com o conteúdo do livro que estou lendo no momento: "Psicologia de massas do fascismo", de Wilhelm Reich.

O candidato da direita tem enfatizado, após apresentar propostas absurdas ou ao ser questionado por repórteres sobre como pretende implementar essas mesmas propostas, que ele já foi "economista", que "sabe fazer conta", que já foi isso, já foi aquilo outro e que, portanto, "sabe como fazer".


São propostas meramente eleitoreiras, como aumentar o salário mínimo para R$600,00, por exemplo, sem dizer de onde tiraria o dinheiro necessário.

Mas não foi uma, duas ou três vezes que ele falou isso. Ele tem repetido isso constantemente, tem apontado a si mesmo como "capaz" de resolver o que ele não explica a ninguém como faria.

Isso me chamou a atenção para o tipo de relação que Serra mantém com seu eleitorado: uma relação de confiança.

Se perguntarmos aos seus eleitores algo sobre essas propostas, eles só podem responder que "Serra sabe o que faz", pois nem o próprio Serra explica quando perguntado. Ou seja, eles tem que "confiar" no Serra.

É unicamente devido à estrutura de caráter da classe média que este discurso encontra eco na base do seu eleitorado. É o mesmo que acontecia com a classe média que formava a base de massas do movimento nazista de Hitler, que pregava mil contradições em seu programa de governo mas que ainda assim tinha a "confiança" da sua base.

Esta estrutura se caracteriza por uma dependência de uma figura de autoridade projetada a partir da imagem do pai, que para a criança tem solução para tudo. Ela é produto principalmente da estrutura familiar da classe média.

Esta análise da classe média feita pelo psicanalista marxista Wilhelm Reich se mantém extremamente atual pelo que podemos verificar tanto no comportamento da classe média brasileira (clique aqui para ver um ótimo site sobre isso), como nesta característica da relação do eleitorado serrista com o seu candidato.

Ora, é óbvio que essa ligação entre essa massa e o seu líder é emocional, inconsciente, e a psicologia de massas desnuda de forma extraordinária o mecanismo deste processo.

Todo voto, em qualquer candidato, é sempre expressão de confiança, claro. Mas há uma nítida diferença entre um voto razoável, pensado, analisado, e um voto em propostas que não encontram o menor fundamento na realidade. Um voto que se baseia tão somente na promessa do candidato de que ele "vai dar um jeito" pois sabe fazer contas. Como se a matemática não fosse exata. Ou como se o povo fosse muito burro para não compreender os cálculos que ele disse que fez antes de formular suas propostas.

Mas a classe média, iludida, pequeno-burguesa aspirante à "classe de cima", confia cega e emocionalmente no seu candidato, já que o "horror" do proletariado vai votar "naquela que não se nomeia". A classe média é sempre a classe média. A classe das maiores contradições do capitalismo.


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