Espionagem nas organizações de esquerda

Com o vazamento desta informação podemos ver que as organizações de esquerda continuam sob o olhar atento do império.


Governo dos EUA mandou investigar grupos brasileiros que apóiam Hugo Chávez

PCO - Três grupos que apóiam o atual presidente venezuelano são citados no telegrama de John Danilovich, ex-embaixador dos EUA no Brasil: o MST, o Grupo de Ação Simon Bolívar e o Círculo Bolivariano de São Paulo

Na série de novos documentos secretos divulgados pelo WikiLeaks sobre a política nacional estão em destaque aqueles que mostram uma influencia direta do imperialismo na política nacional. Um destes telegramas, um dos últimos de uma série de 2.500 que estão sendo divulgados no Brasil através da agência de jornalismo investigativo Pública , mostra a preocupação e a política do imperialismo de investigar grupos da esquerda nacional que apóiam o presidente venezuelano Hugo Cháves.

Em um telegrama secreto, enviado à Washington em 31 de maio de 2005 pelo então embaixador norte-americano no Brasil, John Danilovich, o governo e embaixada dos EUA trocam informações sobre presença do "bolivarianismo" no Brasil.

O embaixador responde uma série de perguntas feitas pelo Departamento de Estado. Entre as perguntas estão: "Quais são os laços do governo com grupos radicais, partidos anti-sistêmicos, organizações esquerdistas extremistas e/ou terrorista etc.?" "Qual a reação do governo a presença de grupos bolivarianos?", "Há procedimentos de segurança da fronteira com a Venezuela?" e "Qual o status da colaboração militar com o governo Venezuelano?".

As perguntas do Departamento de Estado norte-americano revelam mais uma vez a atividade do imperialismo que busca controlar completamente a política nacional, interferindo em questões que deveriam ser exclusivas da população brasileira.

A resposta do embaixador também deixa clara a atividade norte-americana no país de espionar os grupos de esquerda. No telegrama consta a descrição de atividades políticas realizadas por três grupos, apontados como os mais próximos a Hugo Chaves no Brasil. O primeiro é um grupo de oficiais de Estado ligados ao PT chamado "Grupo de Ação Simon Bolívar". O segundo grupo citado é o "Círculo Bolivariano de São Paulo" e o terceiro, o MST. Em uma parte do telegrama pode se ler o seguinte sobre a relação entre o MST e Chávez: "De acordo com o relatório de outubro de 2003, membro da principal organização do movimento sem-terra do Brasil, o MST, viajou para a Venezuela, aparentemente sem conhecimento do governo brasileiro, onde declara-se que eles encontram-se com o presidente Venezuelano Hugo Chávez e também com grupos indígenas e fazendeiros".

Há ainda relatos da atividade da embaixada da Venezuela no Brasil e de reuniões que este realizou com membros do MST e de sua relação com o PT.

Por fim, há uma análise da influência do "bolivarianismo" no Brasil, onde é destacada que apesar da presença de grupos de apoio à Hugo Chávez no país, este fenômeno ainda é fraco. O telegrama diz em um trecho: "De fato, a falta de maior conexão histórica do Brasil com o movimento bolivariano e um significante desconhecimento completo e falta de interesse em [Símon] Bolívar no público geral do Brasil sugere pouco impulso dentro do Brasil para os esforços de Chávez em apropriar a figura histórica ou contorcer seus princípios para encaixarem-se aos fins de Chávez."

A interferência norte-americana neste tipo de assunto e a espionagem de grupos de esquerda mostram que os interesses dos capitalistas dos EUA são colocados em prática através do controle que estes buscam exercer sobre a política nacional. O que evidencia a relação de exploração existente entre este país imperialista e o Brasil, um país semi-colonial.



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